De acordo com a pesquisa, 17,4% das mortes de crianças abaixo de cinco anos são relacionadas ao parto prematuro
(Waltraud Grubitzsch/EFE/VEJA)
Pela primeira vez, as principais causas de morte de crianças abaixo
de cinco anos no mundo não são doenças como sarampo e pneumonia. Em
2013, o parto prematuro assumiu a liderança do ranking, em países ricos e
pobres. Essa foi a constatação de um estudo global publicado nesta
segunda-feira no periódico
The Lancet.
De 2000 a 2013, a mortalidade de crianças de até cinco anos caiu 3,9%
ao ano. A maior parte da redução se deve a avanços no combate a
pneumonia, diarreia, aids, sarampo e tétano. A mortalidade relacionada
ao parto prematuro — aquele que ocorre antes de 36 semanas de gestação,
quando começa o oitavo mês — diminuiu em ritmo menos acelerado. Em 2013,
1,1 milhão de crianças abaixo de cinco anos morreram por nascer antes
do tempo adequado.
Pesquisas — Quatro iniciativas de pesquisa estão em
andamento e visam a descobrir as causas e a prevenção do problema. Elas
se concentram em cinco linhas de investigação: doenças ginecológicas e
infecciosas, neonatologia, genética e imunologia.
“Há uma preocupação mundial com esse assunto, principalmente porque
nós não conhecemos as causas diretas do parto prematuro”, disse ao site
de VEJA José Belizán, uma das maiores autoridades no
assunto, pesquisador do Departamento de Investigação em Saúde da Mãe e
da Criança do Instituto de Eficácia Clínica e Sanitária, na Argentina.
Fatores como obesidade, idade da gestante, tabagismo e pressão
arterial elevada são conhecidos por aumentar o risco do parto prematuro.
Mas eles não explicam, sozinhos, os números inflados. Estima-se que
mais da metade dos partos anteriores à 36.ª semana ocorra de forma
espontânea. Os estudiosos sabem que o problema é proporcionalmente mais
incidente em países ricos do que pobres. Por isso, além de elementos
como pobreza e nutrição, investiga-se a possibilidade de o stress
antecipar o parto.
Prevenção — No momento, os esforços para prevenir
mortes são baseados em planejamento familiar, uso de corticoides em mães
que têm algum fator de risco de parto prematuro e prevenção de
infecções com uso de antibióticos nos recém-nascidos.
Além disso, há uma técnica que se baseia em transformar a mãe numa
espécie de incubadora do filho, a chamada Mãe Canguru. Em vez de o
recém-nascido passar os primeiros meses de vida em um aparelho de uma
UTI neonatal, ele é colocado em contato direto com a pele da mãe, para
se manter aquecido e mamar continuamente. "A mortalidade caiu muito em
lugares onde esse procedimento foi adotado. Colômbia e países do sul da
África utilizam essa técnica que é barata e eficaz", diz Belizán.
Fonte: Revista Veja