segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Anvisa aprova uso do canabidiol como medicamento no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (14/01/2015), por unanimidade, a reclassificação do canabidiol como medicamento de uso controlado e não mais como substância proibida. A decisão foi tomada durante reunião da diretoria colegiada na sede do órgão, em Brasília.
A maior parte dos diretores ressaltou que não há relatos de dependência relacionada ao uso de canabidiol, enquanto há diversos indícios registrados na literatura científica de que a substância auxilia no tratamento de enfermidades, como a epilepsia grave.
Os diretores também ressaltaram que a reclassificação abre caminho para que as famílias que fazem uso do canabidiol não continuem a agir na ilegalidade ou por fazer uso de uma substância proibida, além de abrir caminho para mais pesquisas.
A Anvisa iniciou a discussão sobre a possibilidade da reclassificação da substância em maio de 2014. Na época, não houve decisão terminativa sobre a questão. Desde então, a agência vem autorizando a liberação de importação do canabidiol em caráter excepcional.
Até o momento, o governo federal recebeu 374 pedidos de importação para uso pessoal. Desses, 336 foram autorizados, 20 aguardam o cumprimento de exigência pelos interessados e 11 estão em análise pela área técnica. Há ainda sete arquivamentos, sendo três mandados judiciais cumpridos, duas desistências e três falecimentos de pacientes após a entrada do pedido.
Fonte: Agência Brasil

domingo, 18 de janeiro de 2015

Pela primeira vez Doença de Alzheimer é revertida em paciente

A doença de Alzheimer foi revertida pela primeira vez no Canadá e com sucesso. Uma equipe de investigadores canadenses, da Universidade de Toronto, liderada por Andres Lozano, usou uma técnica de estimulação cerebral profunda, diretamente no cérebro de seis pacientes, conseguindo travar a doença. O estudo vem publicado na «Annals of Neurology».
Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer. Nos outros quatro, o processo de deterioração parou por completo.
Nos portadores de Alzheimer, a região do hipocampo é uma das primeiras a encolher. O centro de memória funciona nessa área cerebral, convertendo as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo. Sendo assim, a degradação do hipocampo revela alguns dos primeiros sintomas da doença, como a perda de memória e a desorientação.
Imagens cerebrais revelam que o lobo temporal, onde está o hipocampo e o cingulado posterior, usam menos glicose do que o normal, sugerindo que estão desligadas e ambas têm um papel importante na memória.
Para tentar reverter esse quadro degenerativo, Lozano e sua equipa recorreram à estimulação cerebral – enviar impulsos elétricos para o cérebro através de eléctrodos implantados.
O grupo instalou os dispositivos perto do fórnix – um aglomerado de neurónios que enviam sinais para o hipocampo – dos pacientes diagnosticados com Alzheimer há pelo menos um ano. Os investigadores aplicaram pequenos impulsos eléctricos 130 vezes por segundo.
Testes realizados um ano depois mostram que a redução da glicose foi revertida nas seis pessoas. Esta descoberta pode levar a novos caminhos para tratamentos de Alzheimer, uma vez que é a primeira vez que foi revertida.
Os cientistas admitem, no entanto, que a técnica ainda não é conclusiva e que necessita de mais investigação. A equipa vai agora iniciar um novo teste que envolvem 50 pessoas. 
 Fonte: Ciência Hoje 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Crianças autistas que vivem com pets são mais sociáveis, diz pesquisa

 
Considerados catalisadores de interação social, animais de estimação desempenham um papel importante na vida das crianças. Isso não é novidade, mas a Universidade de Missouri-Columbia, nos Estados Unidos, decidiu estudar a interação dos pets com crianças autistas e descobriu que essa parceria só traz benefícios. Após viver com eles em casa, segundo os pesquisadores, crianças com autismo fortalecem suas habilidades sociais.
Gretchen Carlisle, pesquisadora do núcleo de interação animal do Departamento de Medicina Veterinária, explica que crianças autistas criadas com qualquer animal de estimação demonstraram maior capacidade comportamental. Elas aprendem a se apresentar, pedir informações e responder perguntas. “Essas ações normalmente são muito difíceis para autistas, mas o estudo mostrou que elas se tornam assertivas quando vivem com os animais”. Ela cita ainda cães e gatos como “lubrificantes sociais”.  
Outro ponto interessante do estudo são as suas variáveis. Enquanto o resultado pode ser mais efetivo quando o cão está com a família por muitos anos, crianças autistas mais velhas classificaram como “fraca” a relação delas com o animal. Além disso, os participantes do estudo demonstraram preferência por cães pequenos. “Temos muitas crianças que são apegadas em outros pets, como coelhos e gatos, o que serve como evidência de que outros animais [além dos cães] também podem beneficiá-las”.
A universidade entrevistou 70 famílias com crianças autistas entre 8 e 18 anos. Entre os participantes, quase 70% têm cães em casa e metade prefere gatos. “Cães são bons para algumas crianças, mas pode não ser a melhor opção para todas”. Ao buscar um pet para o filho diagnosticado com autismo, alguns entrevistados escolheram peixes, animais de fazenda, roedores, coelhos, répteis, pássaros e até aranhas como animal de estimação.

Assista ao vídeo em inglês sobre o estudo com crianças autistas: 
 

Fonte: iG São Paulo

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Conselho de Medicina libera prescrição de derivado da maconha


Conselho de Medicina libera prescrição de derivado da maconha

O conselho adiantou que os médicos poderão prescrever o composto para formas severas de epilepsia

Pela primeira vez, um país autoriza seus médicos a prescrever o canabidiol (CBD), um dos 80 princípios ativos da maconha.

A decisão do CFM (Conselho Federal de Medicina) será detalhada em coletiva de imprensa nesta quinta (11), à tarde e encaminhada ao Diário Oficial da União.

O conselho adiantou que os médicos poderão prescrever o composto para formas severas de epilepsia. Ainda não está claro se o documento contemplará também enfermidades como a doença de Parkinson e a esquizofrenia.

Estudos já demonstraram a efetividade da substância para melhorar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com tais doenças.

Nos Estados Unidos, o canabidiol é vendido para ingestão via oral, como pomada cutânea e até xampu.

A FDA (agência que regula medicamentos nos EUA) considera o composto seguro, mas não permite que quem o comercializa alegue propriedades medicinais –segundo o órgão, para isso são necessárias pesquisas mais abrangentes, envolvendo grandes grupos de pessoas.

ANVISA

A decisão do CFM segue a norma do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, que em outubro autorizou a prescrição do CBD para médicos do Estado.

O canabidiol, entretanto, ainda não consta na lista de substâncias permitidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Isso significa que sua importação tem de ser autorizada caso a caso - não é permitida a venda, por exemplo, em farmácias. A primeira autorização saiu em abril, e desde então foram 238 liberações.

Um dos requisitos da Anvisa para a liberação da importação é exatamente uma prescrição médica. Com a decisão do CFM, isso deve se tornar mais fácil, uma vez que uma reclamação dos pacientes era que esses profissionais tinham receio de receitar o CBD, já que a substância era proibida pelo seu conselho.

A inédita decisão é fruto de um debate que começou quando a família de Anny Fischer, 6, obteve na Justiça, pela primeira vez no país. o direito de importar a substância.

Anny tem uma forma grave de epilepsia para a qual não há tratamento específico. A doença provocava até 80 convulsões por semana com duração de 10 minutos cada uma e comprometia o desenvolvimento de Anny. Hoje, ela tem pequenos espasmos esporádicos que duram cerca de três segundos.

De Brasília, a família só conseguiu o laudo e receita na USP de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A USP estuda o canabidiol desde os anos 1970.

“A gente fazia de tudo de forma ilegal, e o neurologista da Anny não prescrevia o CBD”, diz Norberto Fischer, pai da Anny. “Muitas pessoas ainda nos procuram dizendo que não conseguem a receita médica”, afirma.
FONTE: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Cientistas desenvolvem droga que pode consertar danos à medula

Crédito: Thinkstock
Cientistas americanos dizem ter desenvolvido uma droga que pode incentivar os nervos na medula espinhal a crescer e reparar lesões.
O estudo com ratos, divulgado na publicação científica Nature, permitiu a recuperação parcial de movimentos e controle da bexiga. A droga funciona ao perturbar a "cola pegajosa" que impede que as células nervosas cresçam durante uma lesão.
Mais testes precisam ser feitos em animais maiores antes de testes serem realizados em humanos, mas o grupo Spinal Research (Pesquisa Espinhal, em tradução literal) disse haver um "progresso real".
Danos na medula espinhal interrompem o fluxo constante de sinais elétricos do cérebro para o corpo e podem levar à paralisia abaixo de uma lesão.
A equipe da Escola Universitária de Medicina Case Western Reserve, de Ohio, disse que o tecido de cicatriz formado após uma lesão impede a reparação da medula espinhal, já que proteínas de açúcar liberadas pelo tecido agem como cola.

'Incrível'

 Crédito: Case Western Reserve School of Medicine
Testes em ratos apontam possível recuperação parcial de movimentos e controle da bexiga

A equipe injetou um produto químico sob a pele que chegou até a medula espinhal e perturbou a atividade da cola. "Foi incrível", disse o pesquisador Jerry Prata.
"O que pudemos ver foi realmente notável. Alguns (ratos) se recuperaram fantasticamente e tão bem que você dificilmente diria que havia uma lesão".
Nos testes, 21 dos 26 ratos mostraram algum grau de recuperação na capacidade de movimentos ou das funções da bexiga.
Mark Bacon, do grupo Spinal Research, disse: "Acreditamos que a plasticidade é o principal mecanismo responsável pela recuperação espontânea que vimos em pacientes com lesão da medula espinhal, mas é muito limitada".
"Reforçar a plasticidade é, portanto, um dos principais objetivos... Estes dados preliminares sugerem progresso real nesse sentido".

Fonte: BBC

Pré-eclâmpsia na gestação eleva risco de autismo em bebê, diz estudo


Pré-eclâmpsia é caracterizada pelo aumento da pressão arterial e perda de proteínas pela urina durante a gestação
Pré-eclâmpsia é caracterizada pelo aumento da pressão arterial e perda de proteínas pela urina durante a gestação (Thinkstock/VEJA)
Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia na gravidez têm mais risco de gerar crianças autistas, revelou um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicado na segunda-feira no periódico Jama Pediatrics.

Pesquisa — Os estudiosos selecionaram 517 crianças de dois a três anos com autismo, 194 com algum atraso de desenvolvimento e 350 com desenvolvimento normal. O risco de uma criança com autismo ter sido exposta à pré-eclâmpsia era duas vezes maior do que entre aquelas que tinham um desenvolvimento normal. Além disso, a incidência de problemas cognitivos aumentou de acordo com a gravidade das complicações na gestação.
Segundo os autores do estudo, a explicação para o fenômeno é que a pré-eclâmpsia causa déficit de nutrição e oxigenação no feto, prejudicando o desenvolvimento cerebral do bebê.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Preeclampsia, Placental Insufficiency, and Autism Spectrum Disorder or Developmental Delay

Onde foi divulgada: periódico Jama Pediatrics

Quem fez: Cheryl K. Walker, Paula Krakowiak, Alice Baker, Robin L. Hansen, Sally Ozonoff e Irva Hertz-Picciotto.

Instituição: Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos

Resultado: Crianças autistas têm, no mínimo, duas vezes mais risco de terem tido mães com pré-eclâmpsia durante a gestação do que crianças sem o distúrbio.
A pré-eclâmpsia é uma condição que pode surgir entre a vigésima semana de gestação e a primeira semana após o parto. Ela se caracteriza pelo aumento da pressão arterial e pela perda de proteínas pela urina durante a gestação.

Fonte: Veja

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Parto prematuro é, pela primeira vez, a principal causa de morte de crianças

bebê prematuro
De acordo com a pesquisa, 17,4% das mortes de crianças abaixo de cinco anos são relacionadas ao parto prematuro (Waltraud Grubitzsch/EFE/VEJA)
Pela primeira vez, as principais causas de morte de crianças abaixo de cinco anos no mundo não são doenças como sarampo e pneumonia. Em 2013, o parto prematuro assumiu a liderança do ranking, em países ricos e pobres. Essa foi a constatação de um estudo global publicado nesta segunda-feira no periódico The Lancet.
De 2000 a 2013, a mortalidade de crianças de até cinco anos caiu 3,9% ao ano. A maior parte da redução se deve a avanços no combate a pneumonia, diarreia, aids, sarampo e tétano. A mortalidade relacionada ao parto prematuro — aquele que ocorre antes de 36 semanas de gestação, quando começa o oitavo mês — diminuiu em ritmo menos acelerado. Em 2013, 1,1 milhão de crianças abaixo de cinco anos morreram por nascer antes do tempo adequado.

Pesquisas — Quatro iniciativas de pesquisa estão em andamento e visam a descobrir as causas e a prevenção do problema. Elas se concentram em cinco linhas de investigação: doenças ginecológicas e infecciosas, neonatologia, genética e imunologia.
“Há uma preocupação mundial com esse assunto, principalmente porque nós não conhecemos as causas diretas do parto prematuro”, disse ao site de VEJA José Belizán, uma das maiores autoridades no assunto, pesquisador do Departamento de Investigação em Saúde da Mãe e da Criança do Instituto de Eficácia Clínica e Sanitária, na Argentina.
Fatores como obesidade, idade da gestante, tabagismo e pressão arterial elevada são conhecidos por aumentar o risco do parto prematuro. Mas eles não explicam, sozinhos, os números inflados. Estima-se que mais da metade dos partos anteriores à 36.ª semana ocorra de forma espontânea. Os estudiosos sabem que o problema é proporcionalmente mais incidente em países ricos do que pobres. Por isso, além de elementos como pobreza e nutrição, investiga-se a possibilidade de o stress antecipar o parto.
Prevenção — No momento, os esforços para prevenir mortes são baseados em planejamento familiar, uso de corticoides em mães que têm algum fator de risco de parto prematuro e prevenção de infecções com uso de antibióticos nos recém-nascidos.
Além disso, há uma técnica que se baseia em transformar a mãe numa espécie de incubadora do filho, a chamada Mãe Canguru. Em vez de o recém-nascido passar os primeiros meses de vida em um aparelho de uma UTI neonatal, ele é colocado em contato direto com a pele da mãe, para se manter aquecido e mamar continuamente. "A mortalidade caiu muito em lugares onde esse procedimento foi adotado. Colômbia e países do sul da África utilizam essa técnica que é barata e eficaz", diz Belizán.

Fonte: Revista Veja