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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Com piercing na língua, tetraplégicos conseguem controlar cadeira de rodas


O piercing do tamanho de um feijão produz um campo magnético que muda quando a língua se movimenta Foto: Reprodução / BBCBrasil.com
Cientistas nos Estados Unidos descobriram uma forma de fazer com que pessoas possam controlar cadeiras de rodas e computadores usando um piercing na língua. A descoberta pode ajudar a dar mais independência a pessoas com paralisia. O movimento de um pequeno ímã dentro de um piercing é detectado por sensores e convertido em impulsos eletrônicos, que podem controlar uma série de aparelhos.

A equipe de cientistas disse que está explorando a "destreza incrível" da língua. A pesquisa foi publicada na revista científica Science Translational Medicine. A equipe da Georgia Institute of Technology percebeu que, devido à grande flexibilidade da língua, um piercing no órgão pode servir para propósitos bem mais ambiciosos do que o meramente decorativo.

Uma grande parte do cérebro é usada para controlar a língua, que tem mecanismos bastante sofisticados usados na fala. Essas partes ficam intactas mesmo em casos de lesão na espinha dorsal, que provocam a paralisia.

"Estamos investigando as capacidades inerentes da língua, que é uma parte tão incrível do corpo", disse o pesquisador Maysam Ghovanloo à BBC.

Precisão
O piercing do tamanho de um feijão produz um campo magnético que muda quando a língua se movimenta. Sensores colocados na bochecha conseguem detectar a posição precisa do piercing.

Em testes feitos com 23 pessoas sem qualquer tipo de paralisia e 11 tetraplégicos, seis posições diferentes dentro da boca foram programadas para mover uma cadeira de rodas elétrica ou controlar um computador. Por exemplo, quando a língua tocava o lado esquerdo da bochecha, a cadeira se mexia para a esquerda.
Em média, as pessoas tetraplégicas conseguiam desempenhar tarefas até três vezes mais rápido e com o mesmo nível de precisão, em comparação com outras tecnologias disponíveis hoje Foto: Reprodução / BBCBrasil.com
Em média, as pessoas tetraplégicas conseguiam desempenhar tarefas até três vezes mais rápido e com o mesmo nível de precisão, em comparação com outras tecnologias disponíveis hoje
Foto: Reprodução / BBCBrasil.com

Em média, as pessoas tetraplégicas conseguiam desempenhar tarefas até três vezes mais rápido e com o mesmo nível de precisão, em comparação com outras tecnologias disponíveis hoje.

Os pesquisadores querem desenvolver comandos colocados em cada um dos dentes da boca, possibilitando a criação de um número "ilimitado" de instruções, permitindo que tetraplégicos possam discar um número de telefone, mudar um canal de televisão ou até mesmo digitar uma mensagem.

"As pessoas serão capazes de fazer mais coisas e de forma mais eficiente", diz Ghovanloo. Ele disse que algumas pessoas mais idosas se recusaram a participar da experiência por terem restrições ao uso de um piercing na língua, mas que os mais jovens acharam a experiência "muito legal".

Os aparelhos testados estão disponíveis somente nos laboratórios. A equipe está estudando formas de aumentar a estabilidade da tecnologia, para conseguir aprová-la junto às autoridades americanas. Isso abriria a possibilidade de se comercializar a descoberta.

O diretor da instituição de pesquisas Spinal Research, Mark Bacon, disse que o objetivo principal da ciência deve continuar sendo a busca por formas de regenerar a espinha dorsal, mas que pessoas tetraplégicas podem se beneficiar muito com a tecnologia criada no laboratório.

"A língua é capaz de comandos tão sofisticados usados na fala que não existe motivo para não se usar esta versatilidade de movimento para controlar aparelhos de forma discreta."

Ele faz a ressalva de que é importante desenvolver mecanismos que protejam as pessoas de acidentes, quando a língua estiver sendo usada para atividades como comer, falar e engolir.

Fonte

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Nicolelis divulga primeiras imagens de exoesqueleto

Foto do exoesqueleto divulgada por Nicolelis. Dispositivo será controlado pelo pensamento
Foto do exoesqueleto divulgada por Nicolelis. Dispositivo será controlado pelo pensamento (Reprodução/Facebook/Miguel Nicolelis)
 
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis divulgou nesta segunda-feira, em sua página do Facebook, as primeiras imagens do exoesqueleto, uma veste robótica controlada por pensamento, do Projeto Andar de Novo. Há mais de dois anos, Nicolelis anunciou que o dispositivo seria usado por um paciente tetraplégico para dar o pontapé inicial do jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil.
As fotografias, que, segundo o pesquisador, foram tiradas em Paris, mostram a imagem frontal e lateral do protótipo metálico preso a um boneco.
As primeiras pessoas a testar o exoesqueleto serão pacientes da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) da unidade Lar Escola São Francisco, na capital paulista. Os escolhidos serão jovens adultos com lesão medular incompleta, que ainda permite algum grau de locomoção. Um capacete com sensores vai captar a atividade elétrica cerebral de seu usuário, e transmiti-la para o exoesqueleto, que executará os movimentos.
Diferencial – A principal diferença entre o exoesqueleto desenvolvido por Nicolelis e outros já existentes é o "feedback tátil". O paciente que usar a veste robótica de Nicolelis pode sentir o chão e o peso do corpo ao pisar. Isso facilita muito o ato de andar.
A pesquisa de Nicolelis tem como linha geral a interface entre cérebros e máquinas. No último estudo divulgado, ele e sua equipe descrevem como conseguiram fazer com que macacos aprendessem a usar apenas a mente para controlar o movimento de duas mãos virtuais, exibidas na tela de um computador.

Pesquisador promete usar o dispositivo para permitir que um paciente tetraplégico dê o pontapé inicial do jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil

 Fonte: Revista Veja