sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tratamento de derrame com célula-tronco tem êxito em testes preliminares

Células-tronco embrionárias humanas (Foto: Nissim Benvenisty/Wikimedia Commons) 

Atualizado em  1 de setembro, 2011 - 16:33 (Brasília) 19:33 GMT



Os primeiros testes clínicos de uma técnica que usa células-tronco para tratar pacientes que sofreram derrames cerebrais entrarão em sua segunda fase após serem autorizados oficialmente na Grã-Bretanha.
Uma avaliação feita por um órgão independente concluiu que a primeira fase de testes - em que células-tronco foram injetadas nos cérebros de três pacientes em um hospital de Glasgow, na Escócia - não produziu efeitos adversos sobre o grupo de voluntários.
Agora, o tratamento poderá ser testado em um número maior de pessoas.
A equipe de pesquisadores, da Escola de Medicina da Universidade de Glasgow, espera que as células-tronco auxiliem o organismo a reparar o tecido cerebral danificado pelo derrame.
O chefe da equipe, Keith Muir, disse à BBC que estava satisfeito com os resultados obtidos até agora.
"Temos de estar satisfeitos em relação à segurança antes de podermos continuar testando os efeitos dessa terapia", afirmou.
"Como é a primeira vez que esse tipo de terapia com células é usado em humanos, é importante que determinemos que há segurança para podermos seguir em frente. Agora temos permissão para testar uma dose maior de células."
Um idoso foi a primeira pessoa no mundo a receber o tratamento, no ano passado. Desde então, a técnica foi testada em outros dois pacientes.
Testes globais
Os pacientes receberam doses muito pequenas de células-tronco, em testes cujo objetivo era avaliar quão seguro é o procedimento.
No próximo ano, um grupo com no máximo nove pacientes receberá doses progressivamente maiores - também, inicialmente, para testar a segurança da técnica.
Os médicos também vão usar os testes clínicos para avaliar a melhor forma de medir quão efetivo é o tratamento. Essa medição da eficácia será essencial quando começaram os testes com um número ainda maior de pessoas, daqui a um ano e meio.
Cada vez mais testes clínicos regulamentados de tratamentos usando células-tronco são realizados no mundo.
Entre eles, estão testes iniciados no ano passado pela empresa americana Geron para o desenvolvimento de um tratamento para paralisia.
Os tratamentos estão em fase inicial, e é provável que muitos anos se passem até que eles sejam oferecidos à população em geral.
Segundo estimativas feitas em 2001 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), acidentes vasculares cerebrais são responsáveis por 5,5 milhões de mortes anualmente.
De acordo com estatísticas de outras entidades, derrames cerebrais seriam a terceira causa de morte mais comum no mundo, superados apenas por problemas cardíacos e todos os tipos de câncer combinados.
Os testes clínicos para terapias que usam células-tronco no tratamento de pacientes que sofreram derrames cerebrais estão sendo feitos pela companhia Reneuron Group plc, com sede na Grã-Bretanha.
O diretor da empresa, Michael Hunt, disse que ainda há um longo caminho a percorer na busca por um tratamento. Segundo ele, se tudo correr muito bem, a previsão mais otimista é de que o tratamento esteja disponível no mercado dentro de cinco anos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Quebrando Limites





Foto: Reuters 





Este mês tivemos a grata surpresa em ver participando do Mundial de Atletismo 
em Daegu, na Coreia do Sul, o primeiro atleta paraolímpico a competir em um 
Mundial. Oscar Pistorius teve amputadas suas pernas desde os 11 meses de idade. 
O sul-africano passou da eliminatória realizada no último sábado sem grandes 
dificuldades ao correr em 45s39. O tempo lhe renderia um lugar na decisão. 
Infelizmente, hoje acabou na semifinal o sonho de Oscar Pistorius no Mundial 
de atletismo, com tempo de 46s19, o sul-africano foi o último colocado em sua
série (22º no geral) e deu adeus à disputa da prova dos 400m.

Pistorius ainda participará do revezamento 4x400m com a África do Sul. A 
primeira eliminatória ocorrerá na próxima quinta-feira.


Lean Franco - 29/08/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pai cria jogo de computador para ajudar no tratamento de doença da filha


Foto: Universidade de Derby
David Day (à frente) contou com apoio de colegas como Andreas Oikonomou para ajudar a filha Alicia 

O pai de uma menina de 4 anos que sofre de fibrose cística desenvolveu um jogo de computador que ajuda no tratamento da doença.
David Day, que é professor de computação e matemática na Universidade de Derby, na Grã-Bretanha, sofria com as sessões diárias de fisioterapia respiratória com a filha Alicia.
"Toda noite, ela chorava e gritava e fugia e a coisa estava ficando progressivamente mais difícil quanto mais velha ela ficava", diz Day.
Foi então que ele percebeu que poderia usar o talento de seus colegas de universidade para diminuir o sofrimento da menina. Junto com especialistas da Escola de Computação e Matemática, ele desenvolveu uma linha de jogos de computador que tornam o tratamento divertido e ainda podem ajudar a monitorar a progressão da doença.
Ao respirar através de uma máscara conectada por tubos aos computador, as crianças controlam personagens e formas na tela ao expirar com determinada força.

Doença incurável
A fibrose cística é uma doença genética grave e incurável que causa uma alteração nas glândulas que faz com que o corpo produza um muco mais espesso, que bloqueia as vias respiratórias e outros órgãos.
"As crianças precisam de fisioterapia regular para que possam expelir o muco de seus pulmões, caso contrário ele vira local de proliferação de bactérias que podem agravar seu estado de saúde", explica Day.
"A fisioterapia inclui leves batidas nas costas ou peito do paciente. Também usamos uma máscara de pressão expiratória positiva (PEP), que é colocada no rosto e que dificulta a expiração, fazendo com que eles puxem o muco do pulmão e consigam expeli-lo tossindo. As crianças acham o tratamento de PEP difícil, desagradável e chato e pode ser bastante complicado conseguir que elas façam os exercícios."

Evolução
Foto: BBC
Além de um jogo com flores, há outros com piratas e dragões
Após observar a evolução dos videogames nos últimos anos, Day achou que seria possível criar um jogo que tornasse a fisioterapia mais atraente para as crianças.
Usando verbas da universidade e de bolsas de pesquisa europeias, a equipe de jogos de computador de Derby transformou a ideia em realidade.
Os pesquisadores colocaram um dispositivo na máscara de PEP que converte a respiração das crianças em sinais eletrônicos. Controlando sua respiração, elas controlam também os personagens na tela.
A tecnologia é similar à maneira como paraplégicos usam tubos respiratórios para controlar cadeiras de rodas e outros aparelhos eletrônicos.
"Organizando um registro da performance do jogador ao longo do tempo, um médico pode aferir a eficiência de seus pulmões. A flexibilidade dos jogos significa que mesmo as crianças mais jovens conseguem jogar nos níveis iniciais", explica Andreas Oikonomou, especialista em jogos de computador da universidade.

Flores e dragões
Segundo David Day, o efeito em Alicia foi imediato.
"Ela soprou no aparelho, viu flores na tela e olhou para mim com uma expressão maravilhada", diz o pai.
Foto: BBC
Alicia agora se diverte durante as sessões de fisioterapia
"Ela me perguntou como funcionava e eu disse que era mágica. Ela adorou e desde então, isso tirou toda a pressão e preocupação de garantir que ela fizesse a fisioterapia."
Além do jogo das flores, o favorito de Alicia, a equipe também desenvolveu jogos com navios piratas e dragões.
Agora, Day espera conseguir verbas para testar os jogos com mais dez crianças, entre seis e nove anos de idade.
"Esperamos que nos próximos 12 meses tenhamos uma versão disso à venda para o público para que outras crianças e pais possam se beneficiar. Até onde sei, todos os pais sofrem para conseguir que os filhos façam a fisioterapia", diz o professor.
"É uma batalha que todos os pais de crianças com fibrose cística têm de lutar, então acho que o que estamos fazendo é absolutamente fundamental."
O Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística (GBEFC) afirma que há mais de 2,5 mil pacientes com fibrose cística em tratamento no Brasil, mas segundo a associação, para cada paciente diagnosticado no país, há quatro sem diagnóstico.

Publicado originalmente em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2011/08/110818_fibrosecistica_is.shtml

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Malformação de Dandy-Walker


Dandy-Walker Org

Malformação de Dandy-Walker (MDW) é uma malformação cerebral que ocorre durante o desenvolvimento embrionário do cerebelo e do 4º ventrículo . O cerebelo é a área do cérebro que ajuda a coordenar o movimento, e também está envolvido com a cognição e comportamento. O 4º ventrículo é uma das quatro cavidades preenchidas por fluido que compreendem o sistema ventricular no interior do encéfalo humano. A MDW é caracterizada pelo subdesenvolvimento (pequeno tamanho e posição anormal) da parte média do cerebelo conhecido como o vermis cerebelar, alargamento cística do 4º ventrículo  e alargamento da base do crânio (fossa posterior). A MDW é, por vezes (20-80%) associada com hidrocefalia, em que o bloqueio do fluxo normal do líquido espinhal leva a quantidades excessivas de líquido acumulado em torno do cérebro. Isto leva a uma pressão anormalmente elevada dentro do crânio e inchaço da cabeça, e pode levar a comprometimento neurológico.

Tradução: Lean F. Franco
Texto original: http://www.rarediseases.org/rare-disease-information/rare-diseases/byID/275/viewAbstract


Como devo cuidar dos dentes do meu bebê?

.
                                     Foto: Thinkstock

Limpar corretamente a gengiva do bebê é essencial para um desenvolvimento saudável
O que são as cáries de mamadeira e como evitá-las?

Os bons cuidados bucais começam cedo na vida. Mesmo antes dos dentes do bebê nascerem, existem alguns fatores que podem afetar sua futura aparência e saúde. Por exemplo, a tetraciclina, um antibiótico comum, pode causar a descoloração ou manchas nos dentes. Por esta razão, não deve ser usada por mães que estão amamentando ou mulheres na segunda metade da gravidez.
Como os dentes do bebê geralmente nascem por volta dos seis meses de idade, não há razão para usar os procedimentos padrão da higiene bucal, ou seja, a escovação e o uso do fio dental. Mas, os bebês têm necessidade de cuidados bucais especiais que todos os pais devem conhecer. Entre esses cuidados estão a prevenção das cáries causadas pelo uso da mamadeira e a certeza de que seu filho está recebendo uma quantidade adequada de flúor.

São cáries causadas pela exposição freqüente a líquidos que contém açúcar, como o leite, as fórmulas comerciais preparadas para bebês e os sucos de fruta. Os líquidos que contém açúcar se acumulam ao redor dos dentes por longos períodos de tempo, enquanto seu bebê está dormindo, provocando as cáries, que primeiro se desenvolvem nos dentes anteriores, tanto da arcada inferior quanto da superior. Por esta razão, nunca deixe sua criança adormecer com a mamadeira de leite ou suco na boca. Ao invés disso, na hora de dormir, dê a ele uma mamadeira com água ou uma chupeta que tenha sido recomendada pelo seu dentista. Ao amamentar, não deixe o bebê se alimentar continuamente. E após cada mamada, limpe os dentes e as gengivas do seu bebê com um pano ou uma gaze umedecidos.

O que é o flúor? Como saber se meu bebê está recebendo a quantidade certa de flúor?
O flúor faz bem mesmo antes de os dentes do seu filho começarem a aparecer. Ele fortalece o esmalte dos dentes enquanto estes estão se formando. Muitas empresas de distribuição de água adicionam a quantidade de flúor adequada ao desenvolvimento dos dentes. Para saber se a água que você recebe em casa contém flúor e qual a quantidade de flúor que é colocada nela, ligue para a empresa de distribuição de água no seu município. Se a água que você recebe não tem flúor (ou não contém a quantidade adequada), fale com seu pediatra ou dentista sobre as gotas de flúor que podem ser administradas ao seu bebê diariamente. Se você usa água engarrafada para beber e para cozinhar, avise seu dentista ou médico. É possível que eles receitem suplementos de flúor para seu bebê.

Artigo fornecido pela Colgate-Palmolive. Copyright 2011 Colgate-Palmolive.
Todos os direitos reservados.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Estudo abre caminho para tratamentos que evitem o alastramento do câncer


câncer/SPL
Ao se espalhar pelo corpo, a doença se torna mais agressiva e difícil de tratar


Cientistas britânicos dizem ter descoberto de que forma células cancerosas conseguem sair de tumores e se espalhar pelo corpo, um avanço que abre caminho para o desenvolvimento de drogas que impeçam o alastramento da doença.
Os pesquisadores, do Institute of Cancer Research, em Londres, Inglaterra, dizem ter identificado uma proteína conhecida como JAK que ajuda as células cancerosas a gerar força necessária para o alastramento.
Em artigo publicado na revista Cancer Cell, a equipe diz que as células se contraem como músculos para gerar a energia que permitirá que se movam, forçando seu caminho pelo organismo.
Quando um câncer se espalha - um processo conhecido como metástase - ele se torna mais difícil de tratar, já que tumores secundários tendem a ser mais agressivos.
Estima-se que 90% das mortes provocadas pelo câncer ocorram após a metástase - o que torna imperativo que o processo de alastramento da doença seja controlado.

A proteína JAK
Após estudar substâncias químicas envolvidas no processo de alastramento das células em melanomas - câncer de pele -, a equipe concluiu que as células cancerosas se alastram de duas formas.
Elas podem forçar sua passagem para fora de um tumor ou o próprio tumor forma corredores por meio dos quais as células podem escapar.
O líder do estudo, Chris Marshall, disse que ambos os processos são controlados pela mesma substância.
"Existe um padrão comum de uso da força gerada pelo mesmo mecanismo, uma mesma molécula, chamada JAK", ele disse.
A proteína JAK já é conhecida por especialistas que estudam o câncer. Ela já foi, por exemplo, associada à leucemia. Por conta disso, já há drogas sendo desenvolvidas para atuar sobre ela.
"Nosso novo estudo sugere que essas drogas possam, talvez, interromper também o alastramento do câncer", disse Marshall.
"O teste vai ser quando começarmos a ver se qualquer desses agentes vai impedir o alastramento. Estamos pensando em (realizar) testes clínicos nos próximos anos", acrescentou.


Desafio
Uma representante da entidade de fomento a pesquisas sobre o câncer Cancer Research UK disse que o grande desafio no tratamento da doença é impedir o alastramento pelo corpo e manter o câncer que já se alastrou sob controle.
A representante, Lesley Walker, disse: "Descobrir como as células cancerosas podem abrir passagem pelos tecidos, saindo dos tumores primários e se espalhando por outras áreas, dá aos cientistas uma melhor compreensão a respeito de formas de parar o alastramento".