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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

'Miniórgãos' feitos com impressora 3D são usados para testar vacinas

Impressora 3-D | Crédito: AP
Instituto conseguiu combinar vários órgãos, criados por bio-impressão, em um mesmo dispositivo
Miniórgãos desenvolvidos a partir de uma impressora 3-D modificada estão sendo usados para testar novas vacinas em um laboratório nos Estados Unidos.
O processo replica as células humanas para imprimir estruturas que imitam as funções do coração, fígado, pulmão e vasos sanguíneos.
Os órgãos são então inseridos em um microchip e ligados a um substituto de sangue, permitindo aos cientistas monitorar de perto tratamentos específicos.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos financiou o projeto com US$ 24 milhões (R$ 54 milhões).
A bioimpressão, uma forma de impressão 3-D que, de fato, cria tecido humano, não é nova. Nem a ideia de cultivar tecido humano 3-D em um microchip.
Mas os testes que estão sendo realizados no Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, na Carolina do Norte, são os primeiros a combinar vários órgãos em um mesmo dispositivo, capaz de modelar a resposta às toxinas químicas ou a agentes biológicos.

Órgãos impressos

As impressoras 3-D modificadas, desenvolvidas em Wake Forest, imprimem células humanas em materiais a base de hidrogel, um tipo de gel que é capaz de reter grande quantidade de água.
Os órgãos desenvolvidos em laboratórios são então inseridos em um chip de cinco centímetros e unidos em uma espécie de sistema circulatório que usa um substituto de sangue semelhante ao usado cirurgias de emergência.
O substituto do sangue mantém as células vivas e pode ser usado para receber agentes químicos ou biológicos e a introduzir terapias potenciais no sistema.
Sensores que medem a temperatura real, os níveis de oxigênio, o pH e outros fatores passam informações sobre como os órgãos reagem e, principalmente, como eles interagem uns com os outros.
Anthony Atala, diretor do Wake Forest e coordenador da pesquisa, disse que a tecnologia poderia ser usada tanto para "prever os efeitos dos agentes químicos e biológicos quanto testar a eficiência de tratamentos potenciais".
"Na prática, estamos fazendo testes em tecido humano", afirmou ele.
"Funciona melhor do que os testes em animais", acrescentou.

Antiterrorismo

Anthony Atala | Crédito: AP
Anthony Atala disse que tecnologia pode ajudar a testar a eficiência de tratamentos potenciais
Uma equipe de especialistas dos Estados Unidos está envolvida em aprimorar a tecnologia.
O financiamento para o projeto veio da Agência de Redução de Ameaças da Defesa (DTRA, na sigla em inglês), uma divisão do governo americano que combate armas biológicas, químicas e nucleares.
Os testes que estão sendo realizados em Wake Forest "reduziriam significativamente o tempo e o custo necessários para desenvolver respostas médicas a ataques bioterroristas", diz Clint Florence, chefe interino do setor de vacinas da DTRA.
Wake Forest informou que conseguiu testar antídotos para o gás sarin, recentemente usado contra civis na Síria, segundo a ONU.

Processo de impressão

Atala, cujo campo de atuação é a medicina regenerativa, afirmou que a tecnologia de bioimpressão foi usado inicialmente no Wake Forest para criar tecidos e órgãos para transplantes em pacientes.
A sua equipe conseguiu replicar órgãos achatados como pele, órgãos tubulares, tais como vasos sanguíneos, e até órgãos ocos não tubulares, como a bexiga e o estômago, que possuem estruturas e funções mais complexas.
Mas construir órgãos maiores como coração e fígado ainda representa um grande desafio.
São necessários 30 minutos para imprimir uma miniatura de um rim ou do coração do tamanho de um biscoito pequeno.
"Há tantas células por centímetro que fazer um órgão do zero é um processo bastante complexo", definiu Atala à BBC.
Mas a bioimpressão de órgão sólidos em tamanho real não está tão distante quanto se imagina.
"Estamos trabalhando nessa área agora", disse Atala.

Fonte:

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Pela primeira vez, células-tronco embrionárias são criadas em um organismo vivo

células-tronco
Por meio da ativação de quatro genes em camundongos, os pesquisadores criaram células com capacidade de diferenciação ainda maior do que as células-tronco embrionárias (Thinkstock)
Uma equipe de pesquisadores de Madri, na Espanha, foi a primeira a conseguir fazer células adultas em um ser vivo “voltarem no tempo” e recuperarem as características que tinham durante a fase embrionária. Com isso, eles criaram células-tronco embrionárias com uma capacidade de diferenciação ainda maior do que aquelas obtidas até hoje, por meio da cultura de células em laboratório. Em um exemplo prático, isso quer dizer que se as células-tronco originadas em laboratório até hoje podem dar origem a qualquer tecido do corpo, enquanto essas novas podem dar origem também à placenta. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature nesta quarta-feira.
As células-tronco embrionárias são de grande importância para a pesquisa em medicina regenerativa. Elas são capazes de se transformar em diversos tipos de células que compõem um organismo, e por isso são estudadas como uma possível cura para doenças como Alzheimer, Parkinson e diabetes — nas quais ocorrem danos ou perda de um determinado tipo de célula.
Essas células, no entanto, existem no organismo apenas durante um curto período, no início do desenvolvimento embrionário. Depois, elas se diferenciam — dando origem a um órgão, por exemplo — e perdem sua capacidade de gerar outros tipos de célula.
Nobel — A equipe se baseou na descoberta de Shinya Yamanaka, pesquisador japonês que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 por seu trabalho com células-tronco. Em 2006, ele possibilitou um grande avanço nessa área, ao conseguir criar células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), um tipo de célula-tronco artificial. Criada a partir de uma célula adulta comum do organismo, ela imita as células embrionárias na capacidade de originar diversos tipos de célula. Esse processo foi possível ao “acionar” apenas quatro genes presentes no animal, mas que normalmente não se expressam em indivíduos adultos.
Os pesquisadores de Madri fizeram algo parecido, mas dessa vez as células foram criadas diretamente no interior do organismo de camundongos, e não na bancada do laboratório — um avanço importante para a medicina regenerativa. Eles utilizaram técnicas de manipulação genética para ativar os quatro genes de Yamanaka em camundongos, e observaram que as células adultas de diversos tecidos e órgãos foram capazes de “voltar atrás” em seu desenvolvimento e se tornar células-tronco embrionárias.
“Essa mudança de direção no desenvolvimento nunca foi observada na Natureza. Demonstramos que podemos obter células-tronco embrionárias também em organismos adultos, não só em laboratório”, afirma María Abad, principal autora do estudo e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer, na Espanha.

Diferenças — As células obtidas dessa forma têm uma capacidade de diferenciação ainda maior do que as células pluripotentes desenvolvidas por Yamanaka. Denominadas totipotentes, elas correspondem às células presentes em um embrião humano com 72 horas de desenvolvimento, quando ele é composto por apenas dezesseis células — já as iPSCs correspondem à células de um embrião com 120 horas. Elas também puderam ser retiradas dos animais e cultivadas em laboratório.
Apesar de se tratar de uma grande descoberta, os autores enfatizam que a possibilidade de aplicação terapêutica dessa técnica ainda está distante da realidade. “O próximo passo é estudar se essas novas células-tronco são capazes de gerar, de forma eficiente, diferentes tecidos, como o do pâncreas, rim ou fígado”, afirma María.

Fonte: Veja

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Estudo com células-tronco pode curar a hidrocefalia em fetos

Cientistas europeus e americanos podem ter encontrado uma cura para a hidrocefalia, transtorno que atinge cerca de três milhões de crianças por ano, ao substituir as células danificadas da crosta cerebral por células-tronco em cirurgia no período fetal.

A notícia foi dada à "Agência Efe" pelo pesquisador argentino Esteban Rodríguez, do Instituto de Anatomia, Histologia e Patologia da Universidade Austral do Chile, que participa na ilha espanhola de Fuerteventura (nas Canárias) do 26º Congresso da Sociedade Anatômica Espanhola.

A hidrocefalia é um acúmulo de líquido cefalorraquidiano dentro do cérebro e, segundo Rodríguez, "não é só um transtorno líquido, mas de todo o cérebro, pois produz um dano cerebral que, inclusive, é anterior à hidrocefalia".



O pesquisador explicou como acontece um caso de hidrocefalia congênita fetal: "Em condições normais o líquido cefalorraquidiano está em permanente circulação, a partir dos ventrículos laterais, onde é produzido, até onde se absorve. Quando há dificuldade de circulação ou produção do líquido, ele se acumula nas cavidades ventriculares, o que causa o crescimento da cabeça".

A doença neurológica afeta quase dois em cada mil recém- nascidos. Até hoje não havia sido encontrada cura para ela, que mata metade das vítimas emaproximadamente 15 anos. A medicina até agora só consegue fazer tratamentos que diminuam o dano cerebral cirurgicamente.

Já Rodríguez, que estuda a patologia há 15 anos, acredita ter descoberto o mecanismo de desenvolvimento da doença e atribui às células-tronco a possível via para a cura.

A pesquisa de sua equipe está centrada em mostrar que fetos hidrocefálicos, tanto humanos como animais, têm uma doença das células- tronco que desencadeia duas patologias: a hidrocefalia e o transtorno neuronal.

E a alternativa que buscam é "substituir essas células-tronco por células-tronco normais para que sigam criando neurônios que formem a crosta cerebral sem causar dano neurológico". As células-tronco para fazer neurônios poderiam ser extraídas de tecidos tanto do feto como da própria mãe e seriam transplantados em cirurgia.

A equipe é composta por sete centros de investigação de vários países, trabalha há dois anos com a possibilidade dos transplantes. A pesquisa ainda estáem nível experimental, mas o cientista argentino acredita que se seguirem nesta linha com sucesso os primeiros resultados podem ser alcançados em um ano e meio.

"Se as células transplantadas vão para o lugar danificado e se diferenciam em neurônios, poderíamos realizar as primeiros tentativas em humanos", acredita.

Rodríguez alertou que, além da hidrocefalia congênita, existe a adquirida, que pode acometer qualquer pessoa em qualquer etapa da vida devido, por exemplo, à aparição de um tumor, e a normotensão registrada em idosos sem que eles tenham tido tumores prévios.

Fonte: EFE - Eloy Vera

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Cientistas criam minifígados de células-tronco


Fígado | Foto: Reuters
Fígados em processo de falência poderão ser reparados por brotos hepáticos, dizem cientistas
Cientistas anunciaram a criação de pequenos fígados a partir de células-tronco em um laboratório da Universidade de Yokohama, no Japão.
A equipe se disse "espantada" ao perceber a formação espontânea de brotos hepáticos, os estágios mais iniciais de desenvolvimento do órgão.
A esperança é de que o transplante de milhares de brotos hepáticos possa reverter situações de falência do fígado.
Após a publicação dos resultados do estudo na revista Nature, muitos especialistas reagiram classificando o estudo como "empolgante".
A pesquisa deve dar novo fôlego às muitas equipes de cientistas que tentam, ao redor do mundo, criar órgãos em laboratório como tentativa de lidar com a falta de doadores para transplantes.
Alguns pacientes já têm bexigas feitas com suas próprias células, mas órgãos mais densos como o fígado e os rins são mais difíceis de serem produzidos.

Produção própria

A equipe da universidade japonesa simulou em laboratório os estágios mais iniciais do desenvolvimento do fígado, similares aos de um embrião.
Eles mesclaram três tipos de células – duas variedades de células-tronco e material colhido a partir de um cordão umbilical.
Para a surpresa dos cientistas, as células começaram a se organizar e se entrelaçaram para formar um broto hepático.
Estes brotos foram transplantados para camundongos, onde se conectaram ao sistema circulatório e passaram a funcionar como pequenos fígados.
O processo, de acordo com os cientistas, aumentou o tempo de vida dos camundongos com falência hepática.
"Nós simplesmente mesclamos três tipos de células e descobrimos que, de forma inesperada, elas se auto-organizaram para formar um broto hepático tridimensional – um tipo de fígado rudimentar", explica o professor Takanori Takebe, um dos responsáveis pelo estudo.
"E finalmente nós provamos que o transplante de brotos hepáticos pode oferecer potencial terapêutico contra a falência do fígado", diz Takebe, acrescentando que ele e a equipe ficaram "completamente espantados" e "absolutamente surpresos" quando perceberam a formação dos brotos hepáticos.

Tratamento

Acredita-se que outros órgãos, como o pâncreas, rins, e até mesmo os pulmões possam ser desenvolvidos da mesma forma.
No entanto, a utilização da técnica em um novo tratamento, de fato, ainda é um prospecto distante, avaliam os cientistas.
Os brotos hepáticos criados no estudo têm cerca de 4 a 5 milímetros de comprimento, mas os cientistas dizem que teriam que desenvolver outros muito menores para que eles pudessem ser injetados no sangue.
E adiantam que as células provavelmente não formariam um novo fígado, mas se acoplariam ao órgão em falência para tentar recuperá-lo.
Varuna Aluvihare, médica especialista em transplantes do King’s College Hospital, de Londres, vê com bons olhos o estudo.
"Este é um grande trabalho e, como prova de um conceito, muito interessante. O grande destaque é que esta simples mistura de células pode se diferenciar e se organizar em estruturas de tecidos complexos que funcionam bem em modelos animais", diz.

Fonte:

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pesquisadores estudam autismo usando dentes de leite de crianças

Para entender o autismo, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o professor Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, está desenvolvendo um projeto chamado "A Fada do Dente". Durante o estudo, os pesquisadores têm coletado dentes de leite de crianças com autismo para - a partir das células da polpa (parte mole e avermelhada) - transformá-las em células-tronco diferenciadas em neurônios. Com isso, pretendem identificar as diferenças biológicas existentes nos neurônios com autismo, estudar o funcionamento e testar drogas.


"O foco do estudo é procurar entender o que acontece dentro do cérebro do paciente com autismo", disse Patrícia Beltrão Braga, bióloga, professora da USP e coordenadora da pesquisa no país, em entrevista à Agência Brasil. Segundo ela, para que isso ocorra, seria preciso acessar as células que estão dentro do cérebro dos autistas. A ideia, então, foi recriar um modelo análogo, baseado na técnica desenvolvida pelo japonês Shinya Yamanaka, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina no ano passado.

Ele desenvolveu um método de reprogramação de uma célula já adulta transformando-a em uma célula-tronco semelhante às embrionárias, ou seja, as células adultas são rejuvenescidas até a fase correspondente a seis ou sete dias após a fecundação do óvulo. "A partir deste momento, pegam-se essas células e se produzem os neurônios, já que essas células embrionárias têm a capacidade de virar qualquer tecido ou órgão do corpo", explica a pesquisadora.

Patrícia aprendeu a técnica de reprogramação celular desenvolvida por Yamanaka em 2008, quando foi aos Estados Unidos. Um ano depois começou a aplicá-la aqui no Brasil a partir das células de polpa de dentes de leite. "Pegamos as células de polpas de dentes de leite e produzimos as células embrionárias, que não são embrionárias de verdade e são chamadas de pluripotentes induzidas [técnica que rendeu o prêmio a Shinya Yamanaka]", disse. "A gente programa essas células como se as puséssemos numa máquina do tempo: elas [células] voltam no tempo e viram células semelhantes às embrionárias para que depois consigamos induzir essas células a se diferenciarem e a produzir neurônios", acrescentou.

A escolha pelas células da polpa do dente de leite se deu, segundo Patrícia, principalmente pela facilidade de obtenção. Mas ela também apontou outras vantagens: "Vimos que usando a célula da polpa do dente o procedimento seria um pouco mais rápido. E outra coisa: a origem embrionária das células dos dentes e do sistema nervoso é a mesma, e a gente acredita que ela possa se diferenciar mais facilmente em célula do cérebro do que outras que pudéssemos escolher. Por último, esse dente cai e a pessoa o jogaria fora."

De início, o estudo pretende somente investigar a doença. Depois, disse Patrícia, os pesquisadores também pretendem fazer experimentações com medicamentos para ver se é possível reverter os sintomas do autismo. "O autismo é uma doença neurodegenerativa, classificada por uma tríade: basicamente o paciente tem uma dificuldade de atenção - ou, muitas vezes, a criança não fala direito - dificuldade de sociabilidade, ou seja, de se fazer amigos. Pode-se também ter alterações de comportamento."

Os pais cujos filhos são diagnosticados com autismo podem ajudar no projeto entrando em contato com os pesquisadores por meio do e-mail projetoafadadodente@yahoo.com.br. Os pais cadastrados recebem então um kit para recolher o dente do filho quando ele cair. O kit é composto por um frasco com um líquido para preservar as células, gelo reciclável e uma caixa de isopor para mantê-las vivas. O único custo para os pais é com as despesas de envio do kit pelo correio.

Mas caso o dente de leite da criança caia e o kit não esteja por perto, a indicação é colocá-lo dentro de um copo com água filtrada e deixá-lo na geladeira para que a polpa não seque e as células não morram. O dente precisa ser colhido com rapidez para que seja viável o uso das células e não pode ser congelado.

Fonte: 
Agência Brasil

terça-feira, 28 de maio de 2013

Tratamento com células-tronco ajuda na recuperação de pacientes que tiveram AVC


células-tronco
Células-tronco: os pacientes que receberam o tratamento apresentarem melhoras no equilíbrio, mobilidade e força das mãos (Thinkstock)
O primeiro teste clínico de um tratamento com células-tronco para vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) apresentou resultados positivos. Realizado pela Universidade de Glasgow, na Inglaterra, o estudo será apresentado durante a Conferência Europeia sobre Derrame - que começa hoje em Londres e prossegue até 31 de maio.
De acordo com Keith Muir, pesquisador que está liderando o estudo, os nove pacientes que receberam o tratamento não tiveram efeitos adversos. Além disso, cinco deles apresentaram uma melhora de leve a moderada nas funções cognitiva e motora — equilíbrio, mobilidade e força nas mãos. Com isso, houve aumento na capacidade desses pacientes de realizar tarefas do dia-a-dia de forma independente.
Muir afirmou que os resultados ultrapassaram suas expectativas. Ele ressalta, porém, que ainda é difícil saber o quanto dessa melhora se deve exclusivamente ao tratamento, ou se pode ter havido algum tipo de efeito placebo.
Estudo — Os nove participantes do estudo tinham de 60 a 80 anos e haviam sofrido derrames de seis meses a cinco anos antes do início do tratamento. Eles tiveram células-tronco neurais injetadas diretamente na parte do cérebro que sofreu danos relacionados ao AVC.
A segunda fase dos testes clínicos, que tem por objetivo avaliar a eficácia do tratamento, deve ter início no segundo semestre deste ano. A ideia é que ela envolva inicialmente cerca de 20 pacientes que tenham sofrido um AVC há poucas semanas. Para que o estudo em torno de um novo tratamento seja concluído, é necessário que ele passe por três fases de testes clínicos.

Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cientistas criam células-tronco humanas por meio de clonagem




Óvulo de doadora com núcleo de célula de pele (Foto: Divulgação/OHSU) 
Óvulo de doadora com núcleo de célula de pele (Foto: Divulgação/OHSU)
Depois de mais de 15 anos de fracassos de cientistas de todo o mundo, além de um caso de fraude, cientistas finalmente criaram células-tronco humanas com a mesma técnica que produziu a ovelha clonada Dolly, em 1996. A equipe liderada por Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon, nos EUA, publicou artigo a respeito na revista "Cell", nesta quarta-feira (15)
Como informa a agência Reuters, para chegar ao resultado, os pesquisadores transplantaram material genético de células adultas em óvulos cujo DNA havia sido removido. Eles cultivaram células de seis embriões criados, em dois casos, a partir de DNA de amostras das peles de uma criança com uma doença genética, e, nos outros quatro casos, de fetos saudáveis.
Em cada um dos casos, o DNA foi inserido em óvulos não fertilizados doados e, após a aplicação de uma sequência de técnicas, foi verificada a replicação das células.
O procedimento, segundo a "Cell", abre uma nova frente para a medicina com células-tronco, que tem sido prejudicada por desafios técnicos, bem como questões éticas.
Até agora, as fontes mais naturais de células-tronco humanas eram embriões humanos, cuja utilização em pesquisa cria dilemas éticos. Para determinados setores, um óvulo fecundado deve ser tratado como um ser humano e, por isso, não pode ser descartado. A técnica divulgada nesta quarta-feira usa óvulos humanos não fertilizados, e, assim, não se enquadraria nessa discussão.
Eliminar a necessidade de embriões humanos pode aumentar as tentativas de utilização de células-tronco e suas descendentes para substituir células danificadas ou destruídas por problemas cardíacos, mal de Parkinson, esclerose múltipla, lesões na medula e outras doenças devastadoras.
Clonagem
A técnica, no entanto, também poderia ressuscitar os temores da clonagem reprodutiva, ou produzir cópias genéticas de indivíduos vivos (ou mortos). Mesmo antes de o estudo ser publicado, um grupo britânico chamado Human Genetics Alert protestou contra a pesquisa.
"Os cientistas, finalmente, entregaram o bebê que pretensos clonadores humanos têm estado à espera: um método confiável para criar embriões humanos clonados", disse o dr. David King, diretor do grupo. "Isso torna imperativo que nós criemos uma proibição legal internacional sobre a clonagem humana, antes que mais pesquisas como essa apareçam. É irresponsável ao extremo a publicação desta pesquisa."
Entre os cientistas, no entanto, o fato de a técnica ter funcionado está sendo saudado como um avanço, como afirmou o biólogo especializado em células-tronco George Daley, do Harvard Stem Cell Institute. "Isso representa uma conquista inigualável. Eles tiveram sucesso onde muitas outras equipes fracassaram, inclusive a minha."
Cientistas criam células-tronco humanas por meio de clonagem (Foto: Divulgação/OHSU) 
Montagem mostra diferentes estágios do processo
descrito pelos cientistas na 'Cell'
(Foto: Divulgação/OHSU)
Fraude
Entre os que fracassaram na utilização da técnica está o biólogo Hwang Woo-suk, da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul.
Em 2005, Hwang e sua equipe foram manchete em todo o mundo quando anunciaram, na revista "Science", que haviam criado células-tronco embrionárias humanas por meio de transferência nuclear, a mesma técnica que os cientistas de Oregon usaram. A alegação de Hwang acabou sendo desmentida, tornando-se um dos casos mais famosos de fraude científica na última década.
Se o feito da equipe de Oregon se mantiver e puder ser replicado por cientistas em outros laboratórios, o método oferecerá uma terceira, e potencialmente superior, forma de se produzir células-tronco embrionárias.
A pesquisa com células-tronco decolou em 1998, quando cientistas liderados por Jamie Thomson, da norte-americana University of Wisconsin, anunciaram que conseguiram cultivar células a partir de embriões humanos de alguns dias obtidos em clínicas de fertilização, chamadas de blastocistos.
Como os blastocistos eram destruídos quando as células-tronco eram removidas, grupos que acreditam que a vida começa na concepção promoveram intensos protestos. Em 2001, o presidente norte-americano George W. Bush proibiu financiamento público federal nos EUA para pesquisa que criaria mais blastocistos.

Fonte:  G1
Ciência e Saúde

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pesquisadores brasileiros desenvolvem tratamento pioneiro com células-tronco para artrose no joelho


Células-tronco

A técnica ainda está em fase de testes, mas os primeiros pacientes relatam uma redução significativa da dor seis meses após o procedimento


Paulo Brofman, cardiologista da PUC do Paraná, observa as células-tronco que serão utilizadas para o tratamento (João Borges )
Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) estão desenvolvendo uma técnica pioneira no Brasil para o tratamento da artrose no joelho: injeções de células-tronco retiradas do próprio paciente e cultivadas em laboratório. O procedimento, que está passando pelo primeiro teste clínico, já foi realizado em seis pacientes, de um total de dez autorizados a participar do teste. Para os pesquisadores, o uso dessa nova técnica pode postergar ou até evitar o uso de próteses no joelho, tratamento mais comum para a doença.
A artrose é uma doença degenerativa que atinge as articulações, provocando lesão ou desgaste da cartilagem. Ela pode ocorrer em decorrência de trauma ou pelo envelhecimento, geralmente a principal causa: estima-se que a doença afete 70% da população com mais de 60 anos. "Atualmente a medicina consegue fazer com que as pessoas tenham uma longevidade maior, então a incidência dessas doenças tende a aumentar", afirma Alcy Vilas Boas, ortopedista do Hospital Marcelino Champagnat e integrante do grupo de pesquisadores.
O tratamento mais utilizado para a artrose de joelho é a colocação de prótese. O ponto negativo é que esse implante também sofre desgaste com o tempo, e é preciso trocá-lo periodicamente. "Pacientes com 60 anos hoje em dia ainda estão muito ativos, trabalhando e participando de atividades sociais, o que aumenta o desgaste da prótese. Em pacientes mais jovens ela dura de 8 a 10 anos, mas em pacientes com mais de 70 anos ela já tem uma duração maior", explica Vilas Boas.
Outra técnica já existente é a cirurgia de microfratura. Desenvolvida nos anos 80, nos Estados Unidos, ela consiste na criação de pequenos buracos no osso próximo à cartilagem danificada, a fim de liberar as células-tronco presentes na medula óssea, para que elas promovam a regeneração da cartilagem. Esse tratamento, porém, é mais indicado para lesões menores na cartilagem, pois o número de células-tronco liberadas é pequeno.
A técnica que está sendo desenvolvida no Núcleo de Tecnologia Celular da PUC-PR também envolve o uso de células-tronco, mas são utilizadas células de melhor qualidade e em maior número, de forma que o tratamento tem potencial para apresentar um resultado também melhor.
Procedimento — As células utilizadas no tratamento são as células-tronco mesenquimais, células adultas com capacidade de se diferenciar em diversos tipos de tecido. Elas são retiradas da medula óssea do sacro, osso localizado na base da coluna vertebral. Cultivadas em laboratório, elas proliferam — ao fim de quatro semanas obtêm-se cerca de 100 milhões de células — e também tornam-se mais específicas, o que garante que elas se transformem mais tarde em células de cartilagem.
Depois desse processo as células são injetadas no joelho do paciente, em um procedimento minimamente invasivo denominado artroscopia. O paciente então precisa restringir a realização de atividades físicas e de apoio de peso no joelho operado, além de fazer uma fisioterapia específica para o tratamento, em um aparelho denominado “máquina de movimentação passiva contínua”, na qual ele realiza movimentos de dobrar e esticar o joelho sem forçar o músculo.
Resultados – As células levam por volta de 12 semanas para se organizar e formar um tecido com consistência suficiente para sustentar o peso do corpo, mas mesmo depois desse período o tecido continua amadurecendo durante até seis meses após a cirurgia, quando adquire resistência semelhante à cartilagem original.
Os três primeiros pacientes que participaram da pesquisa já completaram seis meses com a aplicação das células-tronco. "Houve uma melhora de 85% na dor em relação ao pré-operatório", afirma Alcy Vilas Boas.
De acordo com o pesquisador, os dez pacientes que receberem o tratamento serão acompanhados por um ano. Após esse período, os dados serão analisados e os trabalhos publicados serão submetidos ao Conselho Federal de Medicina (CFM), que determinará se o tratamento será aprovado para uso clínico.
Paulo Brofman, cardiologista e coordenador do laboratório da PUC-PR que está realizando a pesquisa, explica que todo estudo com células-tronco realizado no Brasil atualmente ainda é considerado um tratamento experimental. Os pesquisadores acreditam que os investimentos em terapia de células-tronco e o rápido avanço da medicina podem contribuir para mudanças nesse cenário. "Nós estamos em uma fase bem inicial, vai levar algum tempo, mas a medicina evoluiu muito nos últimos dez anos, então em um futuro próximo a terapia celular pode estar presente nas indicações de tratamentos", afirma Alcy Vilas Boas.
Caso fosse aprovado hoje, o tratamento custaria cerca de 15.000 reais. De acordo com os pesquisadores, a parte mais cara é o cultivo das células-tronco em laboratório. "Feito em escala comercial, o preço do tratamento cairia", afirma Paulo Brofman.

Fonte: Revista Veja

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Transplante de célula de focinho faz cão voltar a andar



Cientistas da Universidade de Cambridge conseguiram reverter a paralisia em cachorros, após injetar células retiradas do focinho dos animais.

De acordo com os pesquisadores, as descobertas mostram, pela primeira vez, que transplantando este tipo de células em uma medula muito lesionada pode trazer melhoras significativas e abre novas possibilidades. "Acreditamos que a técnica pode vir a ser usada para recuperar parte dos movimentos em pacientes humanos com lesões na medula vertebral, mas há um longo caminho a percorrer até podermos afirmar que eles serão capazes de recuperar todos os movimentos perdidos", diz o biólogo, Robin Franklin que participou da pesquisa. O estudo foi financiado pelo Conselho Médico de Pesquisa (MRC, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha e publicado no jornal científico Brain. A pesquisa é a primeira a testar transplantes em animais com lesões sofridas na vida real, ao invés de usar cobaias de laboratório. Em uma parceria do Centro de Medicina Regenerativa do MRC e a Escola de Veterinária de Cambridge, os cientistas retiraram amostras de células olfativas do focinho dos cães e as cultivaram em laboratório durante várias semanas. Os 34 cachorros que participaram da pesquisa haviam sofrido lesões na coluna que os impediam de usar as patas traseiras. Em 23 dos cães foram injetadas células olfativas na coluna e nos outros 11 foi usada uma solução aquosa neutra, sem nenhum efeito, para ser usado como termo de comparação. Enquanto muitos dos cachorros que receberam o transplante de células apresentaram melhoras significativas e voltaram a andar, nenhum dos caninos do grupo de controle apresentou movimento nas patas traseiras. Porque o nariz?
Após chegar a idade adulta, o nariz é a única parte do corpo em que terminações nervosas continuam a crescer.

As células foram retiradas da parte posterior da fossa nasal. São células especiais que rodeiam os neurônios receptores que nos permitem sentir cheiros e convergir estes sinais para o cérebro.

Os cientistas dizem que as células transplantadas regeneraram fibras na região lesionada da medula. Isto possibilitou que cachorros voltassem a usar as suas patas traseiras e coordenar o movimento com as patas da frente.

Em humanos, o procedimento poderia ser usado em combinação com outras drogas para promover a regeneração da fibra nervosa e substituir tecidos lesionados.

Geoffrey Raisman, o especialista em regeneração neurológica da University College London, descobriu em 1985 este tipo de célula olfativa, que foi usada na pesquisa de agora.

Ele avalia que este foi o maior avanço dos últimos anos na área, mas diz que não é a cura para lesões de medula. "O procedimento permitiu que um cachorro lesionado voltasse a usar suas pernas traseiras, mas as diversas outras funções perdidas em uma lesão de medula, como uso da mão, controle da bexiga e regulação de temperatura, por exemplo, são mais complicados e ainda estão muito distantes".

Na pesquisa, as novas conexões não ocorreram em longas distâncias, necessárias para conectar o cérebro a medula. Os pesquisadores do MRC disseram que em humanos isto seria vital para pacientes com lesões na medula, que perderam funções sexuais e o controle da bexiga e do intestino.

Por enquanto, o procedimento fez a alegria de May Hay, a dona do cão Jasper: " Antes do tratamento, nós usávamos um carrinho de rodas porque as suas patas traseiras eram inúteis, mas agora ele corre pela casa e no jardim e acompanha os outros cachorro, é maravilhoso!"

Fonte:

BBC

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tratamento com células-tronco abre caminho para cura da surdez

EFE
Uma equipe de pesquisadores da universidade de Sheffield, no Reino Unido, desenvolveu um tratamento baseado na aplicação de células-tronco para combater a surdez que abre caminho para futuros tratamentos da doença, segundo um estudo publicado na revista "Nature".
O experimento representa um avanço importante, pois é a demonstração conceitual de que "as células embrionárias podem ser empregadas para reparar um ouvido danificado", segundo explicou à Agência Efe o argentino Marcelo Rivolta, que liderou o estudo.
O grupo de especialistas "instruiu" as células-tronco embrionárias humanas a gerar, primeiro, células que formam os ouvidos, e posteriormente células sensoriais ciliadas e neurônios.
Os pesquisadores desenvolveram um método para induzir as células-tronco embrionárias humanas (que tem capacidade para se diferenciar em muitos tipos de tecidos) a se transformar em células auditivas.
Esta primeira descoberta, segundo Rivolta, é "muito positiva", pois se trata de "uma fonte praticamente inesgotável para produzir células do ouvido sob demanda".
Numa segunda fase, o estudo procurou comprovar se as células do ouvido funcionariam quando fossem transplantadas para um animal com problemas auditivos.
Os cientistas utilizaram como cobaia um gerbilo, uma espécie de roedor com um aparelho auditivo mais parecido com o dos humanos do que os ratos.
Quando os pesquisadores transplantaram as células progenitoras para os animais que sofreram lesões no nervo auditivo, elas substituíram os neurônios perdidos, reconectaram-se e mostraram uma recuperação funcional significativa.
O estudo ressalta que essa habilidade para restaurar a funcionalidade neuronal auditiva poderia abrir as portas para um futuro tratamento para a surdez baseado em células-tronco.
Rivolta afirmou ainda que acredita que a técnica poderia ter um potencial uso terapêutico em um amplo número de pacientes se for empregada em combinação com os implantes cocleares (dispositivo eletrônico que ajuda a restabelecer a audição).