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quinta-feira, 12 de março de 2015

Música alta pode levar um bilhão de jovens a surdez; saiba como se proteger

Crédito: OMS


O barulho está por toda a parte. Mas a epidemia de ruído dos dias atuais acontece, no entanto, em silêncio. Mais especificamente dentro dos fones de ouvido.
Ninguém está a salvo dela, mas o problema, que já se tornou crônico, afeta particularmente os jovens.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que 1,1 bilhão de jovens em todo o mundo correm risco de sofrer perda auditiva devido à exposição ao barulho causada por seus hábitos diários.
Nos países desenvolvidos, a situação é tão grave que, de acordo com estimativas, mais de 43 milhões de pessoas, entre 12 e 35 anos, já sofrem de surdez incapacitante.
Em um relatório publicado por ocasião do Dia Internacional do Cuidado Auditivo, comemorado na última terça-feira, 3 de março, a OMS estimou que 50% dessa faixa etária (12 a 35 anos) está exposta a riscos pelo uso excessivo de tocadores de mp3 e smartphones, e 40% pelos níveis de ruído prejudiciais de discotecas e bares.
Mas como saber quando estamos causando danos, talvez irreversíveis, a nossos ouvidos?
Especialistas avaliam que 85 decibéis (dB) até 8 horas é o nível máximo de exposição sem riscos a que um ser humano pode se submeter. Esse período de tempo diminui na medida em que a intensidade do som aumenta.
Não se trata de uma tarefa fácil, especialmente considerando que o volume de dispositivos de áudio pessoais, como tocadores de mp3, pode variar entre 75 dB e 136 dB no nível máximo.
O relatório da OMS recomenda, contudo, que as pessoas usem esses aparelhos não mais do que uma hora por dia e a um volume baixo.
Já em discotecas e bares, os níveis de ruído podem variar entre 104 dB e 112 dB. De acordo com os parâmetros determinados pelo órgão da ONU, permanecer mais de 15 minutos nesses locais não é seguro. O mesmo se aplica em instalações esportivas, onde o nível de ruído oscila entre 80 dB e 117 dB.
Segundo médicos, a exposição a esses ambientes provoca cansaço nas células sensoriais auditivas. O resultado é a perda temporária da audição ou acúfeno (sensação de zumbido no ouvido).
A capacidade auditiva melhora na medida em que as células se recuperam, mas quando "os sons são muito fortes ou a exposição ocorre regularmente ou de forma prolongada, as células sensoriais e outras estruturas podem ser danificadas permanentemente, causando uma perda irreversível da audição", informa a OMS.
Para se ter uma ideia, uma pessoa que ouve 15 minutos de música a 100 dB está exposta a níveis semelhantes de ruído aos níveis enfrentados por um operário que trabalhe oito horas por dia a 85 dB.
Confira o volume máximo de exposição ao som que a OMS considera seguro:
  • 85 dB: nível de ruído no interior de um carro. Tempo máximo seguro: oito horas.
  • 90 dB: cortador de grama. Tempo máximo seguro: Duas horas e 30 minutos.
  • 95 dB: ruído médio de uma motocicleta. Tempo máximo seguro: 47 minutos.
  • 100 dB: buzina de um carro ou metrô. Tempo máximo seguro: 15 minutos.
  • 105 dB: tocador de mp3 no volume máximo. Tempo máximo seguro: Quatro minutos.
No relatório, a OMS também fez algumas recomendações para quem pretende proteger a audição. São elas:
  • Mantenha o volume baixo.
Regule o volume de seu tocador de mp3 para que nunca exceda 60% do volume total. Use tampões de ouvido toda vez que for a um evento onde o ambiente seja extremamente barulhento, como discotecas ou bares.
  • Limite o tempo gasto em atividades barulhentas.
A duração da exposição ao ruído é um dos principais fatores por trás da perda de audição. É aconselhável fazer breves descansos auditivos e limitar a uma hora diária o uso de fones de ouvido.
  • Preste atenção aos níveis seguros de exposição ao ruído.
Use a tecnologia dos smartphones para ajudá-lo a medir os níveis de exposição ao ruído.
  • Preste atenção aos primeiros sinais de perda de audição.
A OMS recomenda procurar imediatamente um médico se houver dificuldades para ouvir sons agudos, como campainha, telefone ou despertador, ou entender a conversa por telefone e até mesmo em ambientes barulhentos.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Brinquedos barulhentos podem prejudicar as crianças

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Opção de brinquedos é o que não falta, principalmente nesta época do ano.  Mas é preciso que os pais redobrem a atenção na hora de comprar o presente, em especial quando se trata de segurança e saúde.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, um barulho de 70 decibéis já é desagradável para o ouvido humano. Acima de 85 decibéis começa a danificar o mecanismo da audição. O contato contínuo com um brinquedo com esse volume pode prejudicar para sempre a audição das crianças. Os menores, de até três anos, são os mais afetados. E se eles têm a audição comprometida, isso pode atrasar todo o seu desenvolvimento como na área da fala e no desempenho escolar.
Brinquedos sonoros ilegais, como os comprados em camelôs, podem emitir um barulho acima do permitido pela lei, que é de 85 decibéis. Um carrinho de polícia “pirata”, por exemplo, pode chegar a até 120 decibéis de ruído. O que isso representa? O som de uma motosserra geralmente chega a 100 decibéis e o de uma britadeira alcança 110 decibéis. A maioria dos brinquedos vendidos em camelôs não tem selo de garantia de qualidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). Esse selo garante que os brinquedos não trazem risco para a segurança e saúde da criança, pois passaram por diversos testes antes de chegar ao comércio.
As crianças estão expostas a altos níveis de barulho ao brincar com videogames, frequentar sala de jogos de computadores, ouvir música em fones de ouvido ou aparelhagens de som. Em ambientes ruidosos é aconselhável usar protetor auricular nos pequenos. “Os ruídos estão por toda parte. Dentro de casa estão no aspirador de pó, no liquidificador, na televisão em alto volume e até nos brinquedos. Tudo isso pode causar prejuízos à audição das crianças. Os pais devem proteger seus filhos de danos auditivos causados por excesso de barulho e, na hora das compras, prestar atenção ao nível sonoro do brinquedo”, lembra Marcella Vidal, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.
Confira os produtos que merecem atenção:
- Brinquedos musicais como guitarra elétrica, tambor, buzina, trombeta podem emitir sons de até 120 dB (decibéis).
- Brinquedos como telefones infantis podem chegar a ruídos entre 123 a 129 dB(decibéis).
- Brinquedos feitos para ampliar o som da voz chegam a emitir até 135 dB (som comparado ao da decolagem de um avião).
- Brinquedos como arma de fogo que emitem sons de 150 dB (decibéis), podendo causar de imediato dor no ouvido.
- Alguns brinquedos para bater, dar pancadas e os ‘tagarelos’, que falam alto demais, são calculados com o nível de som de até 110 dB (decibéis).

Fonte: Universo Jatoba

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Aulas de música na infância têm efeito duradouro para a mente

Os adultos que costumavam tocar algum instrumento na infância, mesmo que não façam mais isso há décadas, respondem mais rápido aos sons da fala, diz pesquisa. E quanto mais tempo praticando, mais rápido o cérebro fica.
A revista “The Journal of Neuroscience”, publicada semanalmente pela Sociedade de Neurociência, observou 44 pessoas entre 50 e 70 anos. Os voluntários ouviram uma sílaba da fala sintetizada, “da”, e enquanto isso os pesquisadores observavam a área do cérebro com processos de informação do som, o tronco encefálico.
Apesar de nenhum dos participantes terem tocado algum instrumento nos últimos 40 anos, os que estudaram música por um período entre 4 e 14 anos, começando na infância, responderam mais rápido aos sons do que os que nunca estudaram música.
Habilidades duradouras
Quando as pessoas crescem geralmente elas experimentam mudanças no cérebro que comprometem a audição. Por exemplo, a mente dos mais idosos demoram mais para responder a mudanças rápidas de sons, o que é importante para interpretar falas.
Pode ser que aprender a tocar um instrumento musical ainda na infância causa alterações na mente que não mudam mais ao longo da vida. Ou, de algum jeito a música clássica prepara a mente para o futuro aprendizado auditivo, dizem os pesquisadores.
Outra pesquisa da mesma equipe descobriu que os adultos mais jovens seriam melhores ouvintes se eles tivessem estudado algum instrumento quando criança. Os especialistas também acreditam que o treino musical, com ênfase nas habilidades de ritmo, exercitam o sistema auditivo.
Mas esses estudos são relativamente pequenos e não podem dizer com certeza se é apenas o treino musical que vai estimular esses efeitos. Mas é indiscutível que as crianças que tem a possibilidade de aprender a tocar instrumentos, o que pode ser bastante caro, talvez façam parte de uma parcela privilegiada da população e isso pode ser uma influência.
Comentando a pesquisa, Michael Kilgard, da Universidade do Texas, e que não estava envolvido nos estudos, disse que ser um milissegundo mais rápido pode não parecer muito, mas que o cérebro é muito sensitivo ao tempo e um milissegundo somado agravado sobre milhares de neurônios pode sim fazer diferença na vida dos adultos com idade avançada.
Fonte:  Redação Pais & Filhos

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Cientista cria orelha biônica impressa em 3D que dá super audição

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Quem nunca quis ter um super poder? Ou então uma mão ou braço biônico como visto em tantas obras de ficção-científica? Pode ser cedo para sonhar com isso, mas um cientista afirma ter criado a primeira prótese que dá ao usuário uma forma de habilidade sobre-humana.
O último projeto de Michael McAlpine (Ph.D. em Química pela Harvard) envolveu uma ideia considerada louca por seus colegas: em vez de conectar nanotubos em substratos flexíveis de plástico para melhorar a comunicação entre o corpo humano e aparelhos eletrônicos, que tal colocá-los diretamente no corpo?
O primeiro grande passo do projeto foi imprimir uma orelha sintética, criada usando uma bioimpressora 3D. A complexa estrutura biomecânica foi fabricada colocando células vivas e prata condutora em camadas. Logo, o que começou como uma exploração de propriedades materiais tornou-se aplicável de forma comercial: os implantes cocleares (o principal tratamento para portadores de deficiência auditiva) são feitos à mão, num longo e trabalhoso processo, cujo custo é altíssimo.
A ideia de McAlpine vai além de automatizar este processo. Sua idealização é criar super-humanos! “Reparar a audição perdida é um nobre objetivo, mas o que nós fizemos é uma espiral que recebe sinais eletromagnéticos e forma uma conexão direta com o seu cérebro.”
Normalmente, minúsculos pelos em nossas orelhas interpretam os sinais auditivos e os transformam em sinais elétricos que por sua vez são interpretados pelo cérebro. A inovação do cientista acaba com o intermediário acústico, enviando os sinais elétricos diretamente na medula. “Evoluímos em um mundo onde precisávamos ouvir leões. Mas hoje em dia, faz mais sentido que um dos nossos sentidos converse diretamente com o nosso cérebro, eletricamente.”
A orelha foi escolhida por ser simples e trazer o cenário perfeito para o teste. Ela combina o elétrico e o biológico, e não possui vasculatura – é pura cartilagem. O objetivo final é que implantes e próteses como essa, com resultado bioeletrônico, sejam completamente normais no futuro.

Fonte: Alexandre Ottoni & Deive Pazos
Discovery Notícias

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Cérebro depende da visão para ouvir

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Já se pegou fechando os olhos para prestar atenção em uma música? Ouviu toda aquela conversa do seu pai ou mãe enquanto estava no computador, mas não absorveu nada até olhar para os seus progenitores? De acordo com um estudo de bioengenheiros da Universidade de Utah, EUA, o que você vê pode ser mais relevante do que você ouve, em certas condições.
Elliot Smith, primeiro autor do estudo, escreveu o seguinte:
“Pela primeira vez, conseguimos ligar o sinal auditivo no cérebro ao que uma pessoa disse que ouviu, quando na verdade, o que ela ouviu era algo diferente. Descobrimos que a visão está influenciando a parte auditiva do cérebro para distorcer a percepção de realidade – e você não pode desligar a ilusão. As pessoas acham que existe essa forte ligação entre fenômenos físicos no mundo à nossa volta e o que experimentamos subjetivamente, e este não é o caso.”
O estudo parte do princípio chamado Efeito McGurk (nomeado pelo psicólogo cognitivo escocês Harry McGurk, que divulgou seus estudos nos anos 70), que afirma que o cérebro considera tanto a visão quanto o som ao processar a fala. No entanto, caso os dois sejam levemente diferentes, a visão domina o som. Graças ao novo estudo, é possível determinar por que isso acontece — o grande mistério do Efeito McGurk até então.
A pesquisa envolveu a busca pela fonte do efeito, e foi executada com a gravação e análise dos sinais cerebrais no córtex temporal, a região que normalmente processa o som. Com quatro adultos severamente epiléticos (dois homens, duas mulheres), três eletrodos do tamanho de botões foram posicionados em diferentes posições nos cérebros das cobaias: no hemisfério esquerdo, direito, ou em ambos, dependendo de onde as convulsões aparentemente surgem.
O estudo seguia com as quatro cobaias assistindo e prestando atenção em vídeos focados na boca de uma pessoa, enquanto pronunciavam as sílabas “ba”, “va”, “ga” e “tha”. Dependendo de qual dos três vídeos era assistido, cada um dos pacientes tinha uma das três possíveis experiências:
1. O movimento da boca combinava com o som. Ao ouvir um “ba” e ver que este era o som, os pacientes ouviram e viram “ba”.
2. O movimento da boca obviamente não combinava com o som (como num filme mal dublado). Ao ver um filme mostrar um “ga”, os pacientes ouviam “tha”. Devido à óbvia diferença, eles perceberam a desconexão e ouviram corretamente o “tha”.
3. O movimento da boca era feito erroneamente, mas muito de leve. Ao ver um “ba”, mas ouvir um “va”, os pacientes interpretaram o som correto como “ba”.
Medindo os estímulos elétricos durante a exibição de cada vídeo, foi possível definir se os sinais cerebrais auditivos ou visuais é que estavam sendo usados para identificar a sílaba em cada vídeo. Quando o erro era claro, a atividade cerebral aumentava em correlação com o som observado. Mas ao assistir o terceiro vídeo, o padrão mudou para se aproximar mais do que foi visto do que ouvido. As análises estatísticas confirmaram o efeito em todos os pacientes.
Toda essa pesquisa pode ajudar outros pesquisadores a compreender o que de fato ajuda no processo de linguagem de humanos, especialmente em pequenas crianças tentando anexar sons e o movimento labial para aprender sua própria língua. Ainda por cima, pode ajudar quando o processo visual e o auditivo não são integrados corretamente, como no caso da dislexia.
Por fim, este estudo pode ajudar na criação de melhores softwares de reconhecimento de fala, além de aparelhos auditivos, bastando a inclusão de uma câmera que identifique os movimentos labiais.

Fonte:
Alexandre Ottoni & Deive Pazos
Discovery Notícias

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Implante de aparelho e orelha feita de osso devolvem audição a escocês


orelha de Brian Hogg (foto: BBC)
Médicos reconstruíram orelha de Hogg com pedaço de sua costela
Em uma operação pioneira na Grã-Bretanha, um escocês recuperou parte da audição ao ganhar uma nova orelha feita com um pedaço de sua própria costela e um implante auditivo instalado na cabeça.
Brian Hogg, de 29 anos, recebeu o implante chamado de Bonebridge (ponte de osso, em tradução livre), que consiste de um pequeno aparelho de áudio fixado na cabeça que capta ondas sonoras, amplificadas e transmitidas para o ouvido através dos ossos do crânio.
O escocês nasceu com a Síndrome de Treacher Collins, uma doença hereditária que causa, entre outras deformidades, a malformação das orelhas. Para reconstruir a orelha do escocês, os cirurgiões utilizaram um pedaço de sua costela.
Por ter nascido com a orelha deformada, Brian Hogg não pode usar os aparelhos auditivos convencionais, geralmente fixados ao redor da orelha.

Qualidade do som

Brian Hogg e o médico (foto: BBC)
Cirurgião Alex Bennett espera que experiência com Hogg trará esperança para outros pacientes
O cirurgião Alex Bennett, que realizou a operação, disse que o procedimento traz esperança para muitos pacientes que sofrem do mesmo tipo de surdez de Hogg.
"O implante Bonebridge melhora a audição, replicando as ações do tímpano", explicou Bennett.
Brian diz que desde que o implante foi instalado, em dezembro do ano passado, tem ouvido uma grande variedade de sons.
"A qualidade do som é muito melhor e posso ouvir barulhos a distância, o que o meu antigo aparelho auditivo não captava".
O médico holandês Ingeborg Hochmair, que criou o implante, espera que o aparelho melhore a qualidade da vida dos pacientes.
Ele afirmou que o aparelho é resultado de décadas de pesquisa na área de medicina auditiva.

Fonte: BBC

terça-feira, 9 de abril de 2013

Perda de audição: o que é e como evitá-la


Getty Images
Mundo cada dia mais barulhento está gerando perdas auditivas irreversíveis, alertam especialistas
O barulho, e não a idade, é a principal causa da perda auditiva. A menos que se tome providências imediatas para proteger os ouvidos, mais cedo ou mais tarde muitos enfrentarão dificuldade para entender até mesmo simples conversas.
Essa perda auditiva permanente pode ser causada pelos barulhos do dia a dia que nós consideramos como fatos normais da vida.
“A triste verdade é que muitos de nós somos responsáveis por nossa própria perda auditiva”, escreveu Katherine Bouton em seu novo livro, Shouting Won't Help ( Gritar não Ajuda , em livre tradução).
A causa, ela explica, é “o barulho a que nos submetemos dia após dia”. Embora haja inúmeros regulamentos para proteger as pessoas que trabalham em ambientes barulhentos, há relativamente poucos regulamentos sobre a exposição repetida ao ruído fora do ambiente de trabalho: tocadores de música portáteis, shows de rock, secadores de cabelo, sirenes, cortadores de grama, aspiradores de pó, alarmes de carros e outras fontes incontáveis.
Nós vivemos em um mundo barulhento, e ele parece ficar mais barulhento a cada ano. Os ouvidos são instrumentos frágeis. Quando as ondas sonoras entram no ouvido, fazem o tímpano vibrar. As vibrações são transmitidas para a cóclea, no ouvido interno, onde um fluido as carrega para fileiras asseadamente organizadas de células ciliadas. Estas, por sua vez, estimulam as fibras nervosas, cada uma sintonizada em uma frequência diferente. Esses impulsos viajam através dos nervos auditivos até o cérebro, onde são interpretados como, por exemplo, palavras, música ou um veículo se aproximando.
Nascemos com um número fixo de células ciliares; uma vez que elas morrem, não podem ser substituídas, e a sensibilidade auditiva é perdida de forma permanente. Geralmente, a sensibilidade a sons de alta frequência é a primeira a desaparecer, seguida da incapacidade de ouvir as frequências da fala.
Além disso, os efeitos da exposição ao barulho são cumulativos, como Robert V. Harrison, especialista em audição da Universidade de Toronto (Canadá), observou recentemente na revista The International Journal of Pediatrics.
Embora comecemos com um excesso de células ciliares, com repetidos ataques barulhentos, um número suficiente delas é destruído para prejudicar a audição. Portanto, os danos às células ciliares ocorridos no início da vida, como acontece com muitos músicos do rock e com fanáticos por shows de rock, podem aparecer na meia-idade como uma dificuldade em entender as conversas em volta.
O volume do som é medido em decibéis (dB), e o nível no qual o barulho pode causar perda de audição permanente começa em cerca de 85 dB, típicos de um secador, um processador de alimentos ou de um liquidificador.
Michael D. Seidman, diretor de otorrinolaringologia no Hospital Henry Ford West Bloomfield, em Michigan, sugere algumas medidas para evitar a perda de audição no futuro:
Use plugs de ouvido para secar o cabelo ou cortar a grama com um cortador a motor, e para tapar as orelhas quando um veículo de emergência passa com a sirene alta. Proteção de ouvido é uma necessidade para pessoas que usam armas de fogo, assim como para pessoas que dirigem moto ou usam sopradores de neve ou de folhas, furadeiras ou serras elétricas.
Usando fones de ouvido, nunca ouça música no volume máximo . Alguns tocadores de música portáteis produzem níveis de som no ouvido compatíveis com os de um jato decolando. Se você ouve música com fones de ouvido interno ou externo em níveis que bloqueiam as conversas normais, você está, na verdade, liberando golpes letais para as células ciliares dos seus ouvidos, explica Seidman.
Leia com atenção os avisos na embalagem de seu fone de ouvido ou tocador de música . Com grande frequência as pessoas aumentam o volume para não ouvir os ruídos ao redor. Um plano melhor é ajustar um volume máximo enquanto estiver em um ambiente silencioso e nunca passar dele.
Se outras pessoas podem escutar o que você está ouvindo, o volume está muito alto . Alguns aparelhos portáteis vêm com a possibilidade de programar um volume máximo, o que pode fazer o preço a mais valer a pena para pais preocupados em proteger os ouvidos dos filhos.
Se for usar fones internos de ouvido, escolha aqueles que se encaixam confortavelmente e nunca inseri-los muito apertados no canal auditivo . Como alternativa, quando você estiver sozinho e sem risco de perder sinais importantes do ambiente, como um carro que se aproxima, considere usar fones externos com cancelamento de ruído, que bloqueiam os barulhos externos e permitem que você ouça música em um volume mais baixo.
Até mesmo brinquedos feitos para crianças pequenas podem gerar níveis de barulho prejudiciais ao ouvido . A Associação Americana de Fonoaudiologia e Linguagem lista como perigos potenciais as armas de brinquedo, bonecas falantes, carrinhos com buzinas e sirenes, walkie-talkies, brinquedos de borracha de apertar, instrumentos musicais e brinquedos com manivelas. De acordo com a associação, algumas sirenes de brinquedo e brinquedos de borracha podem emitir sons de até 90 dB, tão altos como um cortador de grama.
Pais com audição normal devem testar os brinquedos que emitem sons antes de entregá-los às crianças . A recomendação é: Se o brinquedo soar muito alto, não compre.
* Por Jane E. Brody

Fonte: The New York Times 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tratamento com células-tronco abre caminho para cura da surdez

EFE
Uma equipe de pesquisadores da universidade de Sheffield, no Reino Unido, desenvolveu um tratamento baseado na aplicação de células-tronco para combater a surdez que abre caminho para futuros tratamentos da doença, segundo um estudo publicado na revista "Nature".
O experimento representa um avanço importante, pois é a demonstração conceitual de que "as células embrionárias podem ser empregadas para reparar um ouvido danificado", segundo explicou à Agência Efe o argentino Marcelo Rivolta, que liderou o estudo.
O grupo de especialistas "instruiu" as células-tronco embrionárias humanas a gerar, primeiro, células que formam os ouvidos, e posteriormente células sensoriais ciliadas e neurônios.
Os pesquisadores desenvolveram um método para induzir as células-tronco embrionárias humanas (que tem capacidade para se diferenciar em muitos tipos de tecidos) a se transformar em células auditivas.
Esta primeira descoberta, segundo Rivolta, é "muito positiva", pois se trata de "uma fonte praticamente inesgotável para produzir células do ouvido sob demanda".
Numa segunda fase, o estudo procurou comprovar se as células do ouvido funcionariam quando fossem transplantadas para um animal com problemas auditivos.
Os cientistas utilizaram como cobaia um gerbilo, uma espécie de roedor com um aparelho auditivo mais parecido com o dos humanos do que os ratos.
Quando os pesquisadores transplantaram as células progenitoras para os animais que sofreram lesões no nervo auditivo, elas substituíram os neurônios perdidos, reconectaram-se e mostraram uma recuperação funcional significativa.
O estudo ressalta que essa habilidade para restaurar a funcionalidade neuronal auditiva poderia abrir as portas para um futuro tratamento para a surdez baseado em células-tronco.
Rivolta afirmou ainda que acredita que a técnica poderia ter um potencial uso terapêutico em um amplo número de pacientes se for empregada em combinação com os implantes cocleares (dispositivo eletrônico que ajuda a restabelecer a audição).