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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Memória musical é preservada em pessoas com Alzheimer

Idosa ouvindo música
Recordações musicais podem se manter intactas em pessoas com Alzheimer (Istock/Getty Images)
Um estudo realizado por neurocientistas do Instituto Max Planck de Neurociência e Cognição Humana em Leipzig, na Alemanha, revelou que pessoas com Alzheimer podem guardar recordações musicais. O estudo, publicado na edição deste mês da revista científica Brain, mostrou que as lembranças associadas à musica são armazenadas em regiões cerebrais distintas daquelas que guardam as demais lembranças -- que são esquecidas com o avanço da doença. A descoberta sugere que quando o cérebro ouve música, ele desencadeia um processo diferente para recordá-la, em comparação a outras atividades.
Para realizar o experimento, os cientistas utilizaram imagens de ressonância magnética funcional para analisar a atividade cerebral de 30 pessoas saudáveis enquanto ouviam uma seleção musical da década de 70 - algumas mais populares e outras nem tanto.
Os pesquisadores então perceberam que as regiões cerebrais ativadas para que as pessoas se recordassem das músicas - o giro cingulado anterior, na zona média do cérebro, e a região motora pré-suplementar, no lobo frontal -- eram diferentes das regiões responsáveis pelas memórias associadas às emoções, experiências pessoais que aconteceram ao longo da vida, conhecimentos adquiridos, entre outras.
Os resultados da pesquisam podem esclarecer por que a terapia com música é uma das mais eficazes para tratar a doença durante seu desenvolvimento. Estima-se que 35 milhões de pessoas têm Alzheimer no mundo. No Brasil, são 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer.
Fonte: Revista Veja

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Musicoterapia ajuda jovens com câncer a lidar com tratamento

CDs
Pesquisadores da Indiana University School of Nursing, em Indianapolis, nos Estados Unidos, acompanharam um grupo de pacientes com idades entre 11 e 24 anos enquanto participavam de um projeto que envolvia escrever letras, gravar música e selecionar imagens para fazer um videoclipe.
A equipe concluiu que os pacientes tornaram-se mais resilientes e melhoraram seus relacionamentos com a família e amigos.
O termo resiliência, nesse contexto, se refere à capacidade dos participantes de se ajustarem positivamente aos estresses e efeitos adversos do tratamento que estavam recebendo.
Segundo o site da American Music Therapy Association, musicoterapia é uma prática terapêutica em que profissionais qualificados usam música para auxiliar indivíduos a lidar com questões físicas, emocionais, cognitivas e sociais.

Efeito Positivo

Os participantes foram orientados por musicoterapeutas profissionais. O projeto, que durou três semanas, culminou na produção de videoclipes que, quando prontos, foram compartilhados com amigos e familiares.
Os pesquisadores concluíram que o grupo que participou do projeto de musicoterapia demonstrou mais resiliência e capacidade de suportar o tratamento do que um outro grupo que não recebeu musicoterapia.
Cem dias após o tratamento, o mesmo grupo relatou que a comunicação na família e os relacionamentos com amigos tinham melhorado.
"Esses 'fatores protetores' influenciam a forma como adolescentes e jovens adultos lidam (com o câncer e o rigoroso tratamento), ganham esperança e encontram sentido (para suas vidas) durante a jornada do câncer", disse a líder do estudo, Joan Haase.
"Adolescentes e jovens que são resilientes têm a capacidade de superar sua doença, sentem-se em controle e autoconfiantes pela forma como lidaram com o câncer e mostram um desejo de ajudar o outro".
Entrevistas com os pais dos pacientes revelaram aos pesquisadores que os videoclipes tinham produzido um benefício adicional, oferecendo aos pais uma melhor compreensão sobre como é a experiência de crianças que sofrem de câncer.

Estresse e Ansiedade

Uma das musicoterapeutas envolvidas no estudo, Sheri Robb, explicou por que música pode ter um efeito tão positivo sobre jovens lutando contra o câncer:
"Quando tudo parece incerto, canções que ele conhecem e com as quais se identificam fazem com que se sintam conectados".
Segundo a ONG britânica Cancer Research UK, musicoterapia pode diminuir a ansiedade e melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofrem de câncer. A terapia também pode ajudar a aliviar alguns sintomas do câncer e efeitos colaterais do tratamento - mas não pode curar, tratar ou evitar doenças, inclusive o câncer.
Estudos anteriores que investigaram os efeitos da musicoterapia sobre crianças com câncer concluíram que a atividade pode ajudar a diminuir o medo e a angústia, além de melhorar os relacionamentos da criança com a família.
A portavoz de uma entidade que oferece apoio a adolescentes com câncer e suas famílias - o Teenage Cancer Trust - disse que é muito importante incentivar crianças com câncer a se comunicar e cooperar umas com as outras.
"Sabemos que ser tratado ao lado de outros (pacientes) da mesma idade faz uma diferença imensa, especialmente em um ambiente que permita que jovens com câncer ofereçam apoio uns aos outros".

Fonte: BBC

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Música pode ajudar a reduzir a dor de crianças

Cantarolar para bebês ajuda a fazê-los pegar no sono. Mas não é só isso. O hábito pode auxiliar também a diminuir as dores dos pequenos. Essa é a conclusão de um estudo publicado no periódico Psychology of Music. O trabalho buscou analisar os efeitos de sessões de música ao vivo em pacientes infantis internados em hospitais.
Segundo os autores da pesquisa, já se sabia que cantar para um paciente aumenta o seu bem-estar. O motivo dessa conexão, contudo, era desconhecido — os pesquisadores não sabiam se as crianças melhoravam por ouvir a canção ou apenas por receber a atenção de um adulto. Agora, os cientistas descobriram que a música era a responsável pelos benefícios.

Pesquisa — Os cientistas analisaram 37 pacientes de até quatro anos de idade, todos com problemas cardíacos ou respiratórios. As crianças foram submetidas a três sessões diferentes de 10 minutos cada uma: música, leitura e privação de interação social. No começo e no fim de cada sessão, eram medidas respostas psicológicas como frequência cardíaca, saturação do oxigênio e nível de dor.
Enquanto a leitura e a privação de interação social não causaram grandes mudanças nas respostas psicológicas das crianças, a sessão de música mostrou-se relacionada a diminuições no nível de dor e na frequência cardíaca dos pacientes.

Fonte: Revista Veja

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Música traz benefícios a prematuros


Getty Images
Prematuro: pesquisa mostrou que cantar ajuda os pequenos a saírem mais rápido da encubadora
 
Até mesmo os Beatles teriam tido dificuldade em reconhecer a própria canção quando Andrea Zalkin a cantou para o filho na unidade neonatal da maternidade.
Mas havia algo de involuntariamente pungente no título da canção que ela escolheu cantar para o bebê: Eight Days a Week (Oito Dias Por Semana, em tradução literal) é mais tempo do que se consegue encaixar no calendário. O bebê de Zalkin, Hudson, nascido 13 semanas precoce, teve muito pouco tempo.
À medida que ela cantava, monitores mostraram os batimentos cardíacos de Hudson desacelerando e a saturação de oxigênio aumentando. Efeitos colaterais como este estavam entre os resultados de um novo estudo sobre o uso da música como remédio para crianças prematuras.
O Centro Médico de Beth Israel, em Nova York, liderou a pesquisa. Realizado em 11 hospitais, o estudo descobriu que a música executada ao vivo pode ser benéfica para os bebês prematuros. Nele, os musicoterapeutas ajudaram os pais a transformar suas músicas favoritas em canções de ninar.
Os pesquisadores concluíram que a música ao vivo, tocada ou cantada, ajudou a abrandar batimentos cardíacos dos bebês, acalmar a respiração, melhorar hábitos de sucção importantes para a alimentação, melhorar o sono e promover estados de alerta silenciosos. Médicos e pesquisadores disseram que, ao reduzir o estresse e estabilizar os sinais vitais, a música pode permitir que crianças concentrem mais energia para ter um desenvolvimento normal.
O estudo, publicado no início de abril no jornal Pediatrics soma-se ao crescente corpo de estudos relacionados à música e os bebês prematuros. Alguns hospitais acreditam que a música é tão eficaz quanto, e mais segura do que, sedar bebês antes de procedimentos como ultrassonografias do coração e de monitoramento do cérebro.
Alguns neonatologistas disseram que os bebês que são tratados com musicoterapia costumam ir embora dos hospitais mais cedo, o que pode auxiliar no desenvolvimento e na união familiar, além de economizar dinheiro.
Os cientistas estão longe de conseguir determinar o impacto da música, e há certamente aqueles que são céticos a respeito de seu valor medicinal. Manoj Kumar, neonatologista do Hospital Infantil Stollery localizado em Edmonton (Canadá), disse que, embora “os estudos tenham demonstrado um benefício da frequência cardíaca e respiratória,” não está claro se realmente comprovou melhorias clínicas, como a remoção de tubos de oxigênio ou alimentação mais cedo, questões que o estudo da Pediatria não chegou a mencionar.

No Beth Israel, Zalkin disse que ter um bebê, de repente, pode ser algo bastante intimidante, ainda mais um que pesava um quilo e meio quando nasceu. Ela resolveu participar do programa de musicoterapia de Beth Israel após a conclusão do estudo.
“Os barulhos assustadores e as pessoas correndo de um lado para o outro, isso é algo que eu não posso mudar”, disse Zalkin.
A terapeuta Angela Ferraiuolo-Thompson mudou o ritmo da canção “Eight Days a Week” para uma valsa lenta e recentemente disse para que Zalkin cantasse a canção de maneira mais lenta para acalmar os soluços de Hudson.
“Isso muda como ele está respirando e a minha maneira de respirar, muda o comportamento dele”, disse Zalkin. “Terapia de música, é algo que você também consegue fazer.”

* Por Pam Belluck

Fonte: New York Times