Neste Blog, publicarei textos que apresentei em congressos, traduções que fiz para ajudar em estudos de casos e também artigos publicados em outros sites e blogs de interesse para a área da Fonoaudiologia, Neuropediatria e Saúde em geral.
Recordações musicais podem se manter intactas em pessoas com Alzheimer (Istock/Getty Images)
Um estudo realizado por neurocientistas do Instituto Max Planck de Neurociência e Cognição Humana em Leipzig, na Alemanha, revelou que pessoas com Alzheimer podem guardar recordações musicais. O estudo, publicado na edição deste mês da revista científica Brain, mostrou que as lembranças associadas à musica são armazenadas em regiões cerebrais distintas daquelas que guardam as demais lembranças -- que são esquecidas com o avanço da doença. A descoberta sugere que quando o cérebro ouve música, ele desencadeia um processo diferente para recordá-la, em comparação a outras atividades.
Para realizar o experimento, os cientistas utilizaram imagens de ressonância magnética funcional para analisar a atividade cerebral de 30 pessoas saudáveis enquanto ouviam uma seleção musical da década de 70 - algumas mais populares e outras nem tanto.
Os pesquisadores então perceberam que as regiões cerebrais ativadas para que as pessoas se recordassem das músicas - o giro cingulado anterior, na zona média do cérebro, e a região motora pré-suplementar, no lobo frontal -- eram diferentes das regiões responsáveis pelas memórias associadas às emoções, experiências pessoais que aconteceram ao longo da vida, conhecimentos adquiridos, entre outras.
Os resultados da pesquisam podem esclarecer por que a terapia com música é uma das mais eficazes para tratar a doença durante seu desenvolvimento. Estima-se que 35 milhões de pessoas têm Alzheimer no mundo. No Brasil, são 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer.
Pesquisadores da Indiana University
School of Nursing, em Indianapolis, nos Estados Unidos, acompanharam um
grupo de pacientes com idades entre 11 e 24 anos enquanto participavam
de um projeto que envolvia escrever letras, gravar música e selecionar
imagens para fazer um videoclipe.
A equipe concluiu que os pacientes tornaram-se mais resilientes e melhoraram seus relacionamentos com a família e amigos.
O termo resiliência, nesse contexto, se refere à
capacidade dos participantes de se ajustarem positivamente aos
estresses e efeitos adversos do tratamento que estavam recebendo.
Segundo o site da American Music Therapy
Association, musicoterapia é uma prática terapêutica em que
profissionais qualificados usam música para auxiliar indivíduos a lidar
com questões físicas, emocionais, cognitivas e sociais.
Efeito Positivo
Os participantes foram orientados por
musicoterapeutas profissionais. O projeto, que durou três semanas,
culminou na produção de videoclipes que, quando prontos, foram
compartilhados com amigos e familiares.
Os pesquisadores concluíram que o grupo que
participou do projeto de musicoterapia demonstrou mais resiliência e
capacidade de suportar o tratamento do que um outro grupo que não
recebeu musicoterapia.
Cem dias após o tratamento, o mesmo grupo relatou que a comunicação na família e os relacionamentos com amigos tinham melhorado.
"Esses 'fatores protetores' influenciam a forma
como adolescentes e jovens adultos lidam (com o câncer e o rigoroso
tratamento), ganham esperança e encontram sentido (para suas vidas)
durante a jornada do câncer", disse a líder do estudo, Joan Haase.
"Adolescentes e jovens que são resilientes têm a
capacidade de superar sua doença, sentem-se em controle e
autoconfiantes pela forma como lidaram com o câncer e mostram um desejo
de ajudar o outro".
Entrevistas com os pais dos pacientes revelaram
aos pesquisadores que os videoclipes tinham produzido um benefício
adicional, oferecendo aos pais uma melhor compreensão sobre como é a
experiência de crianças que sofrem de câncer.
Estresse e Ansiedade
Uma das musicoterapeutas envolvidas no estudo,
Sheri Robb, explicou por que música pode ter um efeito tão positivo
sobre jovens lutando contra o câncer:
"Quando tudo parece incerto, canções que ele conhecem e com as quais se identificam fazem com que se sintam conectados".
Segundo a ONG britânica Cancer Research UK,
musicoterapia pode diminuir a ansiedade e melhorar a qualidade de vida
de pessoas que sofrem de câncer. A terapia também pode ajudar a aliviar
alguns sintomas do câncer e efeitos colaterais do tratamento - mas não
pode curar, tratar ou evitar doenças, inclusive o câncer.
Estudos anteriores que investigaram os efeitos
da musicoterapia sobre crianças com câncer concluíram que a atividade
pode ajudar a diminuir o medo e a angústia, além de melhorar os
relacionamentos da criança com a família.
A portavoz de uma entidade que oferece apoio a
adolescentes com câncer e suas famílias - o Teenage Cancer Trust - disse
que é muito importante incentivar crianças com câncer a se comunicar e
cooperar umas com as outras.
"Sabemos que ser tratado ao lado de outros
(pacientes) da mesma idade faz uma diferença imensa, especialmente em um
ambiente que permita que jovens com câncer ofereçam apoio uns aos
outros".
Cantarolar para bebês ajuda a fazê-los pegar no sono. Mas não é só
isso. O hábito pode auxiliar também a diminuir as dores dos pequenos.
Essa é a conclusão de um estudo publicado no periódico Psychology of Music. O trabalho buscou analisar os efeitos de sessões de música ao vivo em pacientes infantis internados em hospitais.
Segundo os autores da pesquisa, já se sabia que cantar para um
paciente aumenta o seu bem-estar. O motivo dessa conexão, contudo, era
desconhecido — os pesquisadores não sabiam se as crianças melhoravam por
ouvir a canção ou apenas por receber a atenção de um adulto. Agora, os
cientistas descobriram que a música era a responsável pelos benefícios. Pesquisa — Os cientistas analisaram 37 pacientes de
até quatro anos de idade, todos com problemas cardíacos ou
respiratórios. As crianças foram submetidas a três sessões diferentes de
10 minutos cada uma: música, leitura e privação de interação social. No
começo e no fim de cada sessão, eram medidas respostas psicológicas
como frequência cardíaca, saturação do oxigênio e nível de dor.
Enquanto a leitura e a privação de interação social não causaram
grandes mudanças nas respostas psicológicas das crianças, a sessão de
música mostrou-se relacionada a diminuições no nível de dor e na
frequência cardíaca dos pacientes.
Prematuro: pesquisa mostrou que cantar ajuda os pequenos a saírem mais rápido da encubadora
Até mesmo os Beatles teriam tido dificuldade em
reconhecer a própria canção quando Andrea Zalkin a cantou para o filho
na unidade neonatal da maternidade.
Mas havia algo de involuntariamente pungente no título da canção que ela escolheu cantar para o bebê: Eight Days a Week
(Oito Dias Por Semana, em tradução literal) é mais tempo do que se
consegue encaixar no calendário. O bebê de Zalkin, Hudson, nascido 13
semanas precoce, teve muito pouco tempo.
À medida que ela cantava, monitores mostraram os
batimentos cardíacos de Hudson desacelerando e a saturação de oxigênio
aumentando. Efeitos colaterais como este estavam entre os resultados de
um novo estudo sobre o uso da música como remédio para crianças
prematuras.
O Centro Médico de Beth Israel, em Nova York, liderou a
pesquisa. Realizado em 11 hospitais, o estudo descobriu que a música
executada ao vivo pode ser benéfica para os bebês prematuros. Nele, os
musicoterapeutas ajudaram os pais a transformar suas músicas favoritas
em canções de ninar.
Os pesquisadores concluíram que a música ao vivo, tocada
ou cantada, ajudou a abrandar batimentos cardíacos dos bebês, acalmar a
respiração, melhorar hábitos de sucção importantes para a alimentação,
melhorar o sono e promover estados de alerta silenciosos. Médicos e
pesquisadores disseram que, ao reduzir o estresse e estabilizar os
sinais vitais, a música pode permitir que crianças concentrem mais
energia para ter um desenvolvimento normal.
O estudo, publicado no início de abril no jornal
Pediatrics soma-se ao crescente corpo de estudos relacionados à música e
os bebês prematuros. Alguns hospitais acreditam que a música é tão
eficaz quanto, e mais segura do que, sedar bebês antes de procedimentos
como ultrassonografias do coração e de monitoramento do cérebro.
Alguns neonatologistas disseram que os bebês que são
tratados com musicoterapia costumam ir embora dos hospitais mais cedo, o
que pode auxiliar no desenvolvimento e na união familiar, além de
economizar dinheiro.
Os cientistas estão longe de conseguir determinar o
impacto da música, e há certamente aqueles que são céticos a respeito de
seu valor medicinal. Manoj Kumar, neonatologista do Hospital Infantil
Stollery localizado em Edmonton (Canadá), disse que, embora “os estudos
tenham demonstrado um benefício da frequência cardíaca e respiratória,”
não está claro se realmente comprovou melhorias clínicas, como a remoção
de tubos de oxigênio ou alimentação mais cedo, questões que o estudo da
Pediatria não chegou a mencionar.
No Beth Israel, Zalkin disse que ter um bebê, de repente,
pode ser algo bastante intimidante, ainda mais um que pesava um quilo e
meio quando nasceu. Ela resolveu participar do programa de
musicoterapia de Beth Israel após a conclusão do estudo.
“Os barulhos assustadores e as pessoas correndo de um lado para o outro, isso é algo que eu não posso mudar”, disse Zalkin.
A terapeuta Angela Ferraiuolo-Thompson mudou o ritmo da
canção “Eight Days a Week” para uma valsa lenta e recentemente disse
para que Zalkin cantasse a canção de maneira mais lenta para acalmar os
soluços de Hudson.
“Isso muda como ele está respirando e a minha maneira de
respirar, muda o comportamento dele”, disse Zalkin. “Terapia de música, é
algo que você também consegue fazer.”