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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

7 perguntas e respostas sobre o refluxo gastroesofágico em bebês




  • Getty Images
    O fato do bebê regurgitar após a mamada não quer dizer que ele tem uma doença
    O fato do bebê regurgitar após a mamada não quer dizer que ele tem uma doenç
Basta que o ciclo de mamar e, logo em seguida, regurgitar se repita por algumas vezes para os pais pensarem que o bebê está com refluxo. Mas é preciso entender que a volta do leite é algo comum nos bebês —cerca de 50% deles vomitam mais de três vezes por dia— e, na maioria das vezes, não é considerado uma doença, mas, sim, uma condição fisiológica da criança que tende a passar com o tempo.
"Se o vômito não vem acompanhado de dores, perda de peso, dificuldade para dormir e choro constante, trata-se do que chamamos de refluxo gastroesofágico fisiológico. Uma condição transitória que não é caracterizada como doença", explica Cristina Helena Targa Ferreira, presidente do Departamento de Gatroenterologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).
A seguir, especialistas respondem a sete perguntas sobre o assunto:

1 - Por que é comum o bebê vomitar?

A alimentação predominantemente líquida e a posição deitada na maior parte do tempo são alguns dos fatores que colaboram para a regurgitação. O fato de o esfíncter inferior do esôfago, uma válvula que impede o retorno do conteúdo do estômago para o primeiro órgão, ainda não estar bem desenvolvido também contribui para a volta do leite.

2 - Quando o refluxo deixa de ser uma condição normal e passa a ser tratada como doença?

Os médicos passam a investigar se o refluxo fisiológico evoluiu para a doença do refluxo gastroesofágico quando o bebê apresenta outros sintomas além da regurgitação, como choro constante, irritabilidade, baixo ganho de peso e recusa de alimentos. "Mas o choro também é uma queixa comum em crianças sem a doença, sendo muitas vezes apenas parte do processo de adaptação ao ambiente fora do útero. A perda de peso também pode ter outras causas", diz Elizabet Vilar Guimarães, gastropediatra e professora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

3 - Até que idade é comum o bebê ter refluxo?

O refluxo gastroesofágico fisiológico –que não é considerado doença— pode ocorrer desde o nascimento e ir aumentando a frequência até os cinco meses. Nessa idade, existem bebês que regurgitam após todas as mamadas. A partir do quinto ou sexto mês, as regurgitações vão diminuindo e tendem a desaparecer quando a criança completa um ano. "À medida que ela permanece mais tempo em pé, o sistema digestivo evolui e ela passa a comer mais alimentos sólidos, o que faz com que o refluxo tenda a diminuir", afirma a presidente do Departamento de Gatroenterologia da SBP.

4 - Refluxo pode ser evitado?

Não há uma maneira de evitar o refluxo, mas, sim, minimizá-lo. Para isso, os especialistas dão algumas dicas como:

- Não alimentar o bebê deitado;
- Após a mamada, deixá-lo no colo, ereto, de 20 a 30 minutos. A medida favorece o esvaziamento gástrico, diminuindo a quantidade de leite no estômago;
- Evitar a troca de fralda logo após as mamadas;
- Evitar que o bebê permaneça em ambientes com fumantes;
- Fracionar as mamadas, ou seja, oferecer leite mais vezes, porém em quantidades menores;
- Elevar a cabeceira do berço até formar um ângulo de 30 graus.

5 - Existem exames que identificam a doença do refluxo?

Os médicos dizem que não existe um exame específico que indique a doença do refluxo. Portanto, a avaliação clínica é a mais indicada para constatar o problema. "Se houver necessidade de investigar, a avaliação solicitada vai depender dos sintomas apresentados pelo bebê", diz Ana Cristina Fontenele Soares, pediatria e gastroenterologista do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo. Entre os exames podem ser solicitados a pHmetria esofágica (feita por meio da introdução de uma sonda na narina da criança) e a endoscopia digestiva alta. "Quando se quer afastar alterações anatômicas ou se tem um quadro de pneumonias de repetição, são solicitados outros exames mais específicos", afirma Ana Cristina.

6 - Existem remédios para a doença do refluxo?

Segundo a gastropediatra Ana Cristina, não existe uma medicação que possa fazer o bebê parar de regurgitar. "Os remédios indicados vão atuar em outros sintomas, como a irritabilidade, a dor e a recusa alimentar, que são decorrentes da doença do refluxo gastroesofágico", afirma.

7 - Refluxo pode causar outras doenças, como pneumonia, tosse ou sinusite?

A doença do refluxo gastroesofágico pode estar relacionada a algumas doenças, como a asma grave e persistente e em adultos, com a tosse crônica. Quanto a outras doenças como pneumonia, sinusite, chiado no peito e tosse não existe um consenso de que possam estar relacionadas com o refluxo gastroesofágico.

Fonte:
Cintia Baio
Do UOL, em São Paulo

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Massagear gengiva do bebê alivia dor do nascimento do dente

Os sintomas são clássicos: irritação, dor e coceira na gengiva e o bebê começa a levar tudo para a boca para aliviar essa sensação. Com os dentinhos nascendo, o maior objetivo da mãe é amenizar o desconforto do filho. 

Especialistas sugerem mordedores, de preferência que possam ser colocados na geladeira, pois o gelado melhora os sintomas. “Alimentos mais consistentes como a cenoura e a maçã ajudam nesse processo, mas as mamães devem ficar atentas para que os bebês não se engasguem”, diz a odontopediatra Cristiane Allegretti. 

Segundo a dentista, fórmulas homeopáticas também trazem bons resultados com, tanto para dor quanto para irritação do bebê.

E para quem já está acostumada com as massagens para cólica, pode usar a mesma técnica nas gengivas dos pequenos. 

- Aplicando um pouco de pressão, mova o dedo para frente e para trás sobre a gengiva. 

- Caso não esteja machucando, deixe-o fechar a boca para aliviar o desconforto. 

- Lembre-se de lavar bem as mãos antes de fazer a massagem.

- Se preferir, use uma gaze umedecida em volta do dedo. 

- Uma toalha de rosto úmida é outra alternativa para massagear a gengiva do bebê. 

- Repita as massagens quantas vezes forem necessárias durante o dia.

Fonte: Terra

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tocar músicas para bebês ainda no útero melhora aprendizado da fala

gravidez
Os bebês que ouviram uma mesma música de ninar durante os últimos meses de gravidez foram capazes de reconhecer a melodia após o parto (Thinkstock)
O hábito de tocar canções para bebês que ainda estão no útero materno pode contribuir para o aprendizado de linguagem da criança no futuro. É o que sugere um estudo finlandês publicado na quarta-feira na revista PLOS ONE. De acordo com a pesquisa, crianças expostas a músicas ao longo da gravidez das mães são capazes de reconhecer a melodia mesmo alguns meses depois do parto. O resultado indica, portanto, que o cérebro do bebê é capaz de guardar memórias de longo prazo adquiridas ainda dentro do útero materno - o que contribui para o aprendizado da linguagem.
Para elaborar a pesquisa, os estudiosos selecionaram doze mulheres que passavam por uma gestação sem complicações. As futuras mães receberam um CD com a melodia da música Twinkle Twinkle Little Star (Brilha, Brilha, Estrelinha; tradicional canção de ninar inglesa), que deveriam colocar para tocar, em volume alto, pelo menos cinco dias por semana durante os três últimos meses da gravidez.
Logo depois do parto, os pesquisadores analisaram a reação desses bebês a duas versões da mesma música: uma delas com algumas notas modificadas, a outra, inalterada. Outros doze bebês que nunca haviam sido expostos à melodia também participaram do experimento, como grupo de controle.
Ao analisar a atividade cerebral por meio de sensores colados na pele dos bebês, os cientistas descobriram que as crianças do primeiro grupo apresentavam uma resposta muito mais forte à música original do que o grupo de controle. Quando repetiram a experiência quatro meses depois, o resultado foi o mesmo — sugerindo que a melodia havia se tornado uma memória de longa duração.
O estudo também mostrou que, quanto mais o bebê havia sido exposto à música no útero, maior era sua atividade cerebral em resposta à nova audição. "Pesquisas anteriores haviam indicado que os fetos eram capazes de perceber pequenos detalhes da fala, mas não sabíamos por quanto tempo eles poderiam reter essa informação. Nosso estudo mostra que os bebês são capazes de aprender em uma idade muito jovem, e que os efeitos dessa aprendizagem permanecem no cérebro por um longo tempo", diz Eino Partanen, professor da Universidade de Helsinki, na Finlândia, e um dos autores da pesquisa.

Memória fetal — O processamento das canções e da fala é feito por meio de mecanismos comuns no cérebro dos bebês. Segundo os pesquisadores, isso significa que a audição de músicas pode ajudar no aprendizado da fala humana. A pesquisa indica que esse processo de aquisição da linguagem pode começar ainda mais cedo do que se pensava. "Este é o primeiro estudo a acompanhar por quanto tempo as memórias fetais permanecem no cérebro. Os resultados são significativos, uma vez que os primeiros mecanismos da memória ainda são desconhecidos", diz Minna Huotilainen, pesquisadora da Universidade de Helsinki que comandou o estudo.
Os pesquisadores pretendem começar uma segunda pesquisa sobre o assunto, dessa vez com a intenção de analisar os efeitos nocivos que ambientes ruidosos podem causar no desenvolvimento dos fetos.

Fonte: Revista Veja

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Bebês aprendem a calcular e a reagir aos movimentos ainda no útero


Sequência de imagens 4D de pesquisa britânica mostra fetos reagindo ao toque ainda no útero. Nas imagens do topo, feto de 25 semanas abre a boca depois de tocar parte lateral da cabeça com sua mão. Mas, quando atinge 32 semanas de gestação (abaixo), o feto já consegue antecipar seu movimento e abrir a boca antes de levantar a mão esquerda Nadja Reissland/Durham University
Bebês aprendem a calcular movimentos e a entender as consequências desses atos ainda no útero materno, aponta pesquisa das universidades de Durham e Lancaster, na Inglaterra, que usou escâneres de tecnologia 4D. A descoberta foi publicada nesta terça-feira (8) no periódico Developmental Psychobiology.
Por meio da tecnologia, os cientistas constataram, pela primeira vez, que os fetos são capazes de executar ações coordenadas, como abrir a boca ao levar a mão até a cabeça, prevendo as consequências de seus movimentos.

Saber disso pode enriquecer o que se sabe sobre bebês, em especial dos nascidos prematuramente, suas habilidades de interagir socialmente e a capacidade de acalmarem a si mesmos ao chupar o dedo, afirma o grupo.
"O aumento no número de gestos mirando a boca em fetos pode ser um indicador do desenvolvimento cerebral necessário para um crescimento saudável, incluindo o preparo para o contato social, o ato de acalmar a si mesmo e a alimentação", diz Nadja Reissland, pesquisadora do departamento de psicologia de Durham.
Para chegar à descoberta, os cientistas fizeram, mês a mês, 60 escaneamentos em 15 fetos, todos com tempo de gestação entre 24 a 36 semanas. Dos fetos analisados, oito eram do sexo feminino e sete, do sexo masculino.
O estudo nota que fetos em estágios menos avançados de gestação costumam tocar mais áreas superiores e laterais de suas cabeças, ao passo que fetos em estágios mais avançados de gestação tendem a tocar áreas mais sensíveis de seus rostos, como a boca.
Na 36ª semana de gestação, perto do nascimento, uma considerável parte dos fetos analisados já abrem a boca ao levar a mão a ela, sugerindo que neste estágio já estão aptos a antecipar a necessidade de abrir a boca para receber a mão, e não apenas reagindo ao toque como se pensava antes do estudo.
O estudo dá sequência a outra pesquisa realizada pelas duas universidades e divulgada no fim do ano passado. Nela, os pesquisadores descobriram que fetos já realizam expressões faciais e até bocejam no útero, no que pode ser uma preparação para a comunicação após o nascimento.

Fonte: UOL

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Bebês dialogam e negociam antes mesmo de aprender a falar, mostra estudo

O ser humano é um "ser da linguagem". Desde o nascimento, e muito antes de aprender a falar, já é capaz de dialogar e de negociar com parceiros – sejam eles adultos ou outros bebês – por meio de olhares, gestos, posturas, vocalizações e outros recursos próprios da idade. Todo o seu corpo é meio de apreensão, expressão e significação.

A análise é da especialista em Psicologia do Desenvolvimento Humano Kátia de Souza Amorim, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), ligada à Universidade de São Paulo (USP). A pesquisadora coordenou um projeto de pesquisa apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo), cujo objetivo foi investigar se e como ocorriam processos de significação e de linguagem nos dois primeiros anos de vida.

Amorim coordenou também outra pesquisa outra pesquisa sobre corporeidade e significação em processos desenvolvimentais no primeiro ano de vida.
Dormem e mamam

"Usualmente, tem-se a ideia de que os bebês apenas dormem e mamam e, quando se expressam, tudo não passa de uma descarga emocional. Mas nossos estudos mostram que, na verdade, os bebês desde muito cedo já são capazes de se expressar de maneira culturalmente adequada", disse Amorim.

"Isso não quer dizer que eles entendam os significados das palavras pela cognição, pelo intelecto, mas apreendem seu significado nas relações, dentro do ambiente. Por meio de recursos particulares, percebem o meio e agem sobre ele, sendo capazes de dialogar com o outro, mesmo que em um diálogo mudo", afirmou.

Para chegar a essas conclusões, a pesquisadora e seus colaboradores acompanharam cerca de 40 crianças com até 13 meses em diferentes relações e contextos: casa, creche e instituição de acolhimento (abrigo). A interação dos bebês com familiares, cuidadores e com outras crianças, inclusive pares de idade, foi gravada e posteriormente analisada pelos cientistas.

"O trabalho começou no âmbito de um Projeto Temático coordenado pela professora Maria Clotilde Rossetti-Ferreira, da FFCLRP. Na época, acompanhamos um grupo de 21 crianças que tinham acabado de ingressar na creche mantida pela USP, no campus de Ribeirão Preto. Nosso objetivo era estudar o processo de adaptação dos bebês no ambiente da educação coletiva", disse Amorim.

Nesse período, foram realizadas cerca de três horas de gravações diárias mostrando a interação dos bebês com as mães, educadoras e com as outras crianças. Como os pesquisadores observaram indícios de processos de interação e de comunicação mesmo entre os próprios bebês, foram conduzidas outras pesquisas e construídos os demais bancos de dados e imagens.

"Pudemos observar claramente que os bebês eram capazes de se expressar e, de alguma maneira, compreender o que se passava no entorno. Então, levantamos uma série de questões para estudar a comunicação e a significação antes da aquisição da linguagem oral", disse Amorim.
Emoção

Dentro das competências comunicativas, acrescentou a pesquisadora, a emoção serve de diálogo sem palavra, representando uma forma de comunicação que abrange todo o corpo do bebê e não apenas o rosto e a voz. Essa emoção muito precocemente passa a ser carregada de intencionalidade, sendo dirigida aos parceiros, com aumento, diminuição e substituição de sinais e tons, além de transformações nos estilos e manifestações.

"Se o choro fosse apenas uma descarga emocional, os bebês agiriam com todos da mesma forma. Mas observamos que eles não choram e não sorriem para todo mundo de maneira igual", comentou Amorim.

Segundo a pesquisadora, a análise dos vídeos mostra que, embora os bebês tenham uma relação preferencial com a mãe, também constroem ligações com outras pessoas – tanto adultos como pares de idade – presentes no contexto. E as relações se dão de forma bastante diferenciada.

"Se há duas educadoras ou duas crianças, por exemplo, o bebê chega a claramente demonstrar preferência por uma delas. Não só interage mais com ela, como os recursos comunicativos são diversos, sendo usados com mais ou menos frequência, além de mudarem com o tempo e as diferentes situações", disse.

"Para nós, isso foi surpreendente, pois mostra o grau de refinamento das habilidades nas relações e a riqueza de competências comunicativas do bebê. De alguma maneira o bebê diferencia não apenas o parceiro como apresenta também formas diversas de se comunicar com ele", avaliou Amorim.
  
Interação de crianças

De acordo com a pesquisadora da FFCLRP-USP, muitos gestos que hoje em dia são considerados como automáticos ou naturais – decorrentes de maturação biológica – evidenciaram ser, na verdade, construídos nas relações com os parceiros, servindo na regulação do comportamento do outro, constituindo o diálogo com o interlocutor.

Nessas relações e comunicação, em que há troca de significados, verificou-se que há participação ativa da criança, apesar de ela não ser capaz de fazer uso das palavras.

Os comportamentos enunciam problemas, que são dirigidos a alguém e inclusive chegam a antecipar uma possível resposta, desde muito precocemente. O gesto tem ainda uma forma diretamente relacionada à ação no mundo de onde deriva, construindo papéis e formas de ser e de estar no mundo.

O tema é controverso, segundo Amorim, pois para a maioria dos autores a linguagem está relacionada à internalização de signos e à aquisição da fala. Em função disso, muitas pesquisas sobre a linguagem e a comunicação de crianças, segundo Amorim, centra seu foco em faixas etárias acima do final do primeiro ano de vida.

"Porém, reconhecer as competências desde o nascimento permite que se veja o bebê para muito além daquilo que ele virá a ser – adulto oralizado –, destacando o que ele já é", avaliou.

Na opinião da pesquisadora, os resultados do estudo podem contribuir para reflexões sobre a forma como familiares, educadores e demais profissionais compreendem os bebês e como organizam a vida e as relações com a criança, por exemplo, nas creches. Para Amorim, é preciso favorecer ainda mais o encontro e a interação das crianças com seus pares de idade.

"Temos enviado material de divulgação da pesquisa para congressos, creches, cursos de pedagogia e demais profissionais que trabalham com desenvolvimento infantil. Muitos professores se incomodam com o fato de terem de lidar com bebês. Dizem que não se formaram para trocar fraldas. Mas se houver a compreensão de que, na verdade, quando trocam a fralda estão ensinando, aprendendo e se relacionando com alguém que já é capaz de se comunicar, tudo muda", avaliou Amorim.

Fonte:
Karina Toledo
Da Agência Fapesp 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Bebês amamentados por mais tempo se tornam mais inteligentes


Amamentação: Exclusividade do leite materno na alimentação de bebês é melhor para o desenvolvimento cerebral deles, diz estudo
Um estudo publicado nesta segunda-feira reforça a ideia de que a amamentação não só faz bem à saúde física do bebê, como contribui também para o seu desenvolvimento intelectual. Segundo a pesquisa, feita no Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, quanto mais tempo uma criança é amamentada, melhor será, ao longo da infância, o seu desempenho em testes que avaliam aspectos da cognição — como aquisição da linguagem, por exemplo.
O trabalho, divulgado no periódico JAMA Pediatrics, foi feito com 1.312 gestantes. Após o parto, os seus bebês foram acompanhados até completarem sete anos de idade. As crianças realizaram diferentes testes cognitivos quando tinham três e sete anos de idade — a cognição é um conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, no reconhecimento, na memória, no juízo, na imaginação e na linguagem.
Pontuação alta — De acordo com o estudo, as crianças que foram amamentadas durante mais tempo obtiveram as maiores pontuações em um teste de vocabulário feito quando tinham três anos de idade. Elas também se saíram melhor em um teste de inteligência verbal e não verbal aos sete anos. A pesquisa mostrou que cada mês a mais de amamentação aumentou progressivamente a pontuação das crianças nesses testes.
Por exemplo, a média das crianças de três anos de idade em testes de linguagem foi de 103,7 pontos. No entanto, uma criança que foi exclusivamente amamentada por seis meses obteve, em média, três pontos a mais na nota do teste em comparação com uma criança que não havia sido amamentada. O trabalho não encontrou, porém, relação entre a duração do aleitamento materno e melhores resultados nos testes de memória e aprendizado.
 “O problema, atualmente, não é tanto que muitas mulheres não iniciam a amamentação, mas sim que a maioria não a mantém. Nos Estados Unidos, 70% das mulheres iniciam o aleitamento materno, mas, aos seis meses de vida do bebê, apenas 35% continuam amamentando”, disse Dimitri Christakis, pesquisador do Instituto de Pesquisa do Hospital da Criança de Seattle, em um editorial que acompanhou o estudo.
Na conclusão da pesquisa, os autores afirmam que esses resultados reforçam a recomendação de que a criança seja alimentada exclusivamente com leite materno até os seis meses de vida, e que continue sendo amamentada até um ano de idade. “Nós devemos fazer o que for preciso para ajudar as mulheres a manter a decisão de amamentar”, diz Mandy Belfort, coordenadora do estudo.

Fonte: Revista Veja

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Comunicação dos Bebês


Você se lembra do primeiro choro do seu bebê? Desde o momento do nascimento, os bebês começam a se comunicar.

Na primeiro momento, os gritos de seu recém-nascido podem parecer uma língua estrangeira. Mas antes que você perceba, você vai aprender a "linguagem" do seu bebê e ser capaz de responder as suas necessidades em pouco tempo.

Como o bebê se comunica?

Os bebês nascem com a capacidade de chorar, que é como eles se comunicam por um tempo. O choro do bebê geralmente diz que algo está errado: fome, fralda molhada, pé frio, cansaço, ou a necessidade de colo e carinho, etc

Logo você vai ser capaz de reconhecer  o que seu bebê precisa e está expressando, e, responder adequadamente. Na verdade, às vezes o que um bebê precisa podem ser identificados pelo tipo de choro - por exemplo, o choro "Estou com fome" pode ser curto e de baixa freqüência, enquanto "Estou chateado" pode parecer mais agitado.

Seu bebê também pode chorar quando estiver oprimido por todas as imagens e sons do mundo, ou por nenhuma razão aparente. Não fique muito chateada quando o bebê chora e você não é capaz de consolar-lhe de imediato: o choro é uma forma dos bebês desligarem os estímulos quando eles estão sobrecarregados.

Chorar é o método principal de comunicação de um bebê, mas ele  também é capaz de outras formas mais sutis. Aprender a reconhecê-las é gratificante e pode reforçar o vínculo com o seu bebê.

Um recém-nascido pode diferenciar entre o som de uma voz humana e outros sons. Tente prestar atenção em como ele responde à sua voz, que ele já associa com cuidados: comida, calor, toque.

Se o seu bebê está chorando no berço, veja como rapidamente a sua voz se aproximando pode acalma-lo. Veja quão de perto o bebê ouve quando você fala em tons amorosos. Seu bebê ainda não pode coordenar o olhar e o escutar, mas mesmo quando está com o olhar distante, ele prestaráq atenção à sua voz como você fala. Seu bebê pode sutilmente ajustar a posição do corpo ou expressão facial, ou mesmo mover os braços e as pernas ao mesmo tempo em que você fala com ele.
Em algum momento durante o primeiro mês  de seu recém-nascido, você pode obter um vislumbre de um primeiro sorriso - uma adição bem-vinda para as habilidades de comunicação do seu bebê!

O que devo fazer?

Assim que você segurar o seu bebê após o nascimento, você vai começar a se comunicar com ele através da troca de seus primeiros olhares, sons e toques. Os bebês aprendem rapidamente sobre o mundo através de seus sentidos.

À medida que os dias passam, após o nascimento, o recém-nascido vai se acostumar a vê-la e começar a se concentrar em seu rosto. Os sentidos do tato e da audição são especialmente importantes.

Seu bebê será curioso sobre ruídos, mas nada mais do que a voz falada. Fale com o seu bebê sempre que tiver a chance. Mesmo que seu bebê não entenda o que você está dizendo, sua voz calma e tranqüilizadora transmite segurança. Com cada toque seu recém-nascido está aprendendo sobre a vida, assim, dê muitos beijos carinhosos, e ele vai encontrar no mundo um lugar relaxante.

Comunicar-se com os recém-nascidos é uma questão de satisfazer as suas necessidades. Sempre responda ao choro do seu recém-nascido - os bebês não serão mimados com muita atenção. Na verdade, respostas rápidas ao choro dos bebês permite que eles saibam que são importantes e dignos de atenção.

Provavelmente haverá momentos em que você supriu todas as necessidades, mas o bebê continua a chorar. Não se desespere - o bebê pode estar super estimulado, ter muita energia, ou apenas precisa chorar sem motivo aparente.

É comum que os bebês tenham um período agitado quase na mesma hora todos os dias, geralmente entre o início da noite e meia-noite. Quando um bebê saudável chora ​​por mais de 3 horas por dia, mais de três dias por semana, durante pelo menos 3 semanas, pode ser devido à  uma condição conhecida como cólica. Isso pode ser perturbador, mas a boa notícia é que é de curta duração - a maioria dos bebês supera com cerca de 3 meses de idade.

Você pode tentar acalmar o seu bebê. Alguns são consolados pelo movimento, como balançar ou passear rapidamente pela sala, enquanto outros respondem a sons, como música suave ou o zumbido de um aspirador de pó. Pode levar algum tempo para descobrir o que melhor conforta seu bebê durante esses períodos de estresse.

Devo me preocupar?

Converse com seu médico se o seu bebê parece chorar por um período incomum de tempo, se o choro parecer estranho para você, ou se o choro está associada com a diminuição da atividade, má alimentação, ou a respiração e movimentos incomuns. O seu médico será capaz de tranquilizá-la ou procurar uma razão médica para a aflição do seu bebê. As chances são de que não há nada errado, e sabendo disso, pode relaxar e ficar calma quando o seu bebê está chateado.

Aqui estão algumas outras razões para o choro prolongado:

    O bebê está doente. Um bebê que chora muito quando está  no colo ou sendo embalado, pode estar doente. Chame o seu médico, especialmente se o bebê tem uma temperatura de 38 ° C ou mais.
    O bebê pode ter uma irritação nos olhos. A córnea arranhada ou "corpo estranho" no olho de um bebê pode causar vermelhidão e lacrimejamento. Chame o seu médico.
    O bebê está com dor. Um fecho da fralda aberta ou outro objeto poderia estar cutucando a pele do bebê. Dê uma olhada em todos os lugares, até mesmo cada dedo das mãos e dos pés (às vezes, o cabelo pode ficar enrolado nos dedinhos de um bebê e causar dor).

Se você tem alguma dúvida sobre a capacidade do seu recém-nascido para ver ou ouvir, você deve levá-los ao seu médico imediatamente. Mesmo recém-nascidos podem ser testados usando o equipamento sofisticado, se necessário. Quanto mais cedo um problema em potencial é detectado, o melhor que pode ser tratado.

Revisado por: Mary L. Gavin, MD
Fonte: Kids Health

Tradução: Lean F. Franco

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Bebês têm consciência a partir dos cinco meses de idade


criança
Os pesquisadores foram capazes de captar a atividade cerebral das crianças por meio de eletrodos grudados em sua cabeça. Na imagem, uma criança de cinco meses, acompanhada de sua mãe, participa do estudo     (Sid Kouider)
As mães parecem não ter dúvidas, mas, até agora, os pesquisadores não possuíam modos de provar que os bebês têm consciência. Testes usados para mostrar que um indivíduo adulto está ciente do mundo à sua volta não funcionam com essas crianças, pois dependem de sua capacidade de relatar o que está percebendo. Um novo estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science descreve um novo método de leitura cerebral capaz de provar que os bebês são visualmente conscientes — eles vêm um objeto, sabem que o viram e se lembram disso. E isso acontece a partir dos cinco meses de idade, segundo a pesquisa.

Para provar a tese, os pesquisadores estudaram um fenômeno psicológico conhecido como máscara visual. Nele, os cientistas apresentam um objeto para um indivíduo adulto, mas o retiram do campo de visão rapidamente. Se ele for retirado rápido o suficiente, pode sumir de sua percepção — sua consciência não chega a notar a existência do objeto, mesmo que seu cérebro o tenha registrado.
Os neurocientistas descobriram que leituras cerebrais são capazes de diferenciar os momentos em que o objeto é mostrado de forma rápida demais e passa despercebido de quando ele fica tempo suficiente para marcar seu lugar na memória do indivíduo. No primeiro caso, o cérebro emite um sinal elétrico nos primeiros 200 a 300 milissegundos, indicando que percebeu o objeto de forma inconsciente. No outro caso, existe um segundo sinal elétrico, de natureza diferente, que mostra que o objeto foi visto pelo indivíduo e marcou seu lugar em sua consciência.
No novo estudo, os pesquisadores quiseram ver se a mesma atividade cerebral podia ser vista em bebês. Para isso, selecionaram três grupos de crianças: trinta bebês de cinco meses de idade, 29 de doze meses e 21 de quinze meses. Cada uma teve 128 eletrodos instalados em sua cabeça, que mediam a atividade cerebral enquanto os pesquisadores lhes apresentavam cartões com faces humanas desenhadas.
A pesquisa mostrou que os bebês apresentavam os mesmos dois tipos de atividade elétrica que os adultos, indicando que a mesma arquitetura de percepção já está presente em seu cérebro desde os cinco meses de idade. O sinal, no entanto, foi mais forte e duradouro nas crianças mais velhas. Segundo os pesquisadores, isso mostra que esses mecanismos cerebrais passam por uma aceleração em seu desenvolvimento conforme o indivíduo cresce.
Os neurocientistas sugerem que o teste pode ser usado como um marcador neurológico da consciência nos bebês. Ele já se provou útil para indicar se pacientes que passavam por estados vegetativos estavam conscientes ou não. Agora, eles sugerem que seja usado com o mesmo objetivo em bebês que estejam passando por anestesia ou doenças severas.


Fonte: Revista Veja
 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Carinho dos pais na infância molda o cérebro das crianças




O cérebro não nasce pronto. Além da genética, as experiências vivenciadas nos primeiros três anos de vida são determinantes – até mais do que os genes - para moldar o funcionamento cerebral diante de situações estressantes, desafiadoras e frustrantes.
Quem avisa é a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, uma das principais estudiosas da “mente das crianças” do País. Segundo ela, dados científicos comprovam que o carinho dos pais, recebido na primeira infância (período entre 0 e 5 anos), é o grande responsável por reações cerebrais - às vezes só manifestadas na vida adulta.

Em palestra realizada na sede da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (entidade que elabora programas voltados à população infantil), em São Paulo, Suzana explicou como as doses de afeto são receitas de sucesso para arquitetar um cérebro sadio no presente e no futuro. “Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração”, afirma.
 
A formação do cérebro

“As crianças não são adultas por dois motivos principais: o primeiro é que elas não têm a experiência trazida com o passar dos anos. O segundo fator é o cérebro infantil. O órgão não nasce pronto, é menor e mais leve do que o cérebro de um adulto. Até o terceiro ano de vida, é o período em que o cérebro mais cresce e ganha peso. Uma das explicações para o crescimento cerebral é que, neste intervalo de anos, há maturação das conexões entre os neurônios, o que faz o peso da massa encefálica aumentar, ficar mais densa. Este processo é determinante para o bom funcionamento do cérebro.
Durante este amadurecimento cerebral, a criança tem uma capacidade de aprendizado rápida e impressionante. É o período em que elas aprendem a detectar sons, enxergar e constituir habilidades, das mais variadas. Por exemplo: todos nascemos com plena capacidade de aprender qualquer idioma. Capacidade esta que vamos perdendo ao longo da vida.”
 
Influências na formação cerebral




“Este período de crescimento do cérebro é chamado de período crítico. Todo e qualquer processo de aprendizado, sendo criança ou adulto, exige a repetição, por meio da tentativa e do erro. Mas nos primeiros anos de vida, o cérebro compreende mais rápido como reagir, sem precisar de tantas tentativas assim. Para criar um comportamento e uma reação padrão diante de algum estímulo - que pode ser um barulho, um estresse, uma sensação de medo, de solidão ou de felicidade - não é preciso repetir tantas vezes.
Neste contexto, é claro que a genética influencia em nossas habilidades e características. Mas a vivência da criança e os exemplos que ela tem dentro de casa são fundamentais para a criação deste comportamento. A capacidade de linguagem de uma criança, por exemplo, é intimamente ligada ao vocabulário da mãe, às palavras que ela fala com o bebê, só para citar um exemplo da influência do ambiente no desenvolvimento do cérebro infantil.”


O poder do carinho
“Sabendo desta influência tão significativa do exemplo no período de aprendizagem, o estímulo dos pais dados à criança durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de habilidades. Não só isso. O comportamento também é moldado nesta fase. Se a mãe faz de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Isso significa que o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. São vários fatores que moldam esta reação cerebral. Pode ser influenciada, negativamente, por violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa.
A boa notícia é que o carinho também molda o cérebro. São várias pesquisas científicas que compravam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte. Isso acontece por causa da ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido durante a amamentação e liberado também no abraço, no beijo, na massagem. A ocitocina é responsável por fazer com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e acalma todas as partes cerebrais acionadas em situações estressantes. O que é uma ótima prevenção da ansiedade e outros transtornos de comportamento que, às vezes, só se manifestam na vida adulta. Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração. Mas apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia. Nunca é tarde para começar.”

Fonte:  http://delas.ig.com.br/filhos/2013-03-14/carinho-dos-pais-na-infancia-molda-o-cerebro-das-criancas.html

quinta-feira, 10 de março de 2011

Terapia que usa acrobacia com bebês causa polêmica na Rússia

Oleg Tyutin durante sessão de ginástica com Pavel (foto: BBC)
Tyutin pratica ginástica com bebês de dias de idade

Uma terapia de ginástica para bebês que envolve acrobacias com as crianças vem criando polêmica na Rússia.
A prática, criada há 20 anos no país, é chamada de ginástica dinâmica para bebês. A ginástica é legalizada no país e acredita-se que existam centenas de profissionais ministrando as aulas na Rússia.
Um dos praticantes da ginástica e que ensina jovens mães é o psicoterapeuta Oleg Tyutin, que demonstrou para a BBC alguns dos movimentos com o bebê de Victoria Kurzina, Pavel, de apenas 17 dias.
Tyutin segurou a criança pelas pernas, de cabeça para baixo, e o balançou lentamente, como se o bebê fosse um pêndulo. Em seguida, Tyutin joga o bebê para cima e o pega de volta, segurando-o junto ao peito.
O psicoterapeuta afirma que a ginástica - que é legalizada no país, mas praticada apenas por profissionais da rede privada de saúde - é benéfica para os bebês.
"Quando eles nascem, os bebês são muito tensos", explicou Tyutin. "Eles têm medo do espaço amplo, aberto, em volta deles. Este procedimento ajuda o bebê a se adaptar ao novo ambiente, faz com que as crianças sejam mais abertas, mais sociáveis, mais relaxadas. Também os ajuda a se desenvolver mais rapidamente."
No entanto, depois da primeira aula de ginástica, a mãe de Pavel, Victoria Kurzina, não se sente confiante para fazer os exercícios sozinha com o filho.
"É um pouco assustador. Um especialista (fazendo a ginástica), bem, as mãos dele são firmes, ele tem toda a experiência, ele sabe o que fazer. Mas eu ainda estou aprendendo", afirmou.
Vídeo no YouTube
Em janeiro, um vídeo que demonstrava a ginástica foi colocado no site YouTube e gerou uma série de reclamações de internautas.
O vídeo, com acompanhamento musical, mostrava uma mulher russa balançando um bebê em volta de sua cabeça e ombros.
O YouTube tirou do ar o vídeo depois que foi indicado como muito chocante, mas a mulher na gravação, a parteira Elena Fokina, criticou a medida.
"As pessoas na Europa estão acostumadas a criar os filhos com excesso de cuidados, eles têm medo de tudo", disse Elena à BBC, falando pelo telefone do Egito, onde ela está morando atualmente.
"Sinto muitíssimo que o vídeo tenha sido retirado, é triste que muitos pais percam a chance de ver que há outra forma de criar um bebê."
Tyutin pratica a ginástica com sua neta, Varya (foto: BBC)
Tyutin pratica a ginástica também com sua neta, Varya
Mas, para o médico americano Robert Young, que trabalhou como pediatra na Rússia durante 13 anos, a ginástica é "potencialmente perigosa" e algo que ele "nunca recomendaria".
"Pais da Rússia não são diferentes dos pais do resto do mundo. Eles querem que seus bebês cresçam da melhor maneira possível. E aqui está uma técnica que propõe o progresso de seus filhos em seu desenvolvimento, socialmente, de todas as formas. É atraente, mas eu simplesmente não tenho certeza de que (a ginástica) faça isto e acho que existe o potencial para ferimentos aqui."
"O bebê pode escorregar, o bebê pode se mover acidentalmente quando está sendo girado e acertar a perna de alguém ou um móvel", afirmou o médico americano.
Neta
Para a pediatra russa Natalya Belova, a popularização da ginástica dinâmica para bebês é um reflexo dos problemas que a Rússia enfrenta.
"Quando o sistema geral está sob pressão, as pessoas começam a praticar coisas muito diferentes. Existem pessoas como estas em todos os países. (A ginástica) não é um crime, mas é importante examinar este procedimento e entender quais as consequências que pode haver para a criança", afirmou.
Ainda não há estudos sobre a ginástica dinâmica para bebês.
O procedimento não tem um certificado do Ministério da Saúde da Rússia e, por isso, as autoridades em Moscou não comentam a prática. O ombudsman da Presidência para os direitos da criança também negou o pedido da BBC para uma entrevista.
O psicoterapeuta Oleg Tyutin, por sua vez, rejeita as críticas e ressalta que a ginástica é segura se for praticada sob supervisão.
Tyutin praticou a ginástica com seus filhos e agora pratica os mesmos exercícios com sua própria neta, Varya, que tem apenas dois meses e meio de idade.
Ele segura Varya de cabeça para baixo e, segurando apenas por uma perna, ele a gira em um círculo completo.
Parece perigoso mas, enquanto as autoridades russas permitirem, Tyutin vai continuar a oferecer seus serviços.

BBC © MMXI
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