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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Menina recebe veia transplantada obtida de células-tronco próprias

Veias sintéticas são propensas a desenvolver coágulos e sofrer bloqueios e os receptores de veias de doadores precisam tomar medicamentos imunossupressores para o resto da vida para evitar rejeição

Cirurgiões anunciaram ter transplantado a primeira veia desenvolvida em laboratório a partir das células-tronco de uma paciente de 10 anos, poupando-a do trauma de ter retirados vasos de seu próprio corpo.
O procedimento inovador pode dar esperanças a pacientes que não têm veias saudáveis para uso em diálise ou cirurgia de ponte de safena, destacou um artigo publicado na revista médica The Lancet.
Veias sintéticas são propensas a desenvolver coágulos e sofrer bloqueios e os receptores de veias de doadores precisam tomar medicamentos imunossupressores para o resto da vida para evitar rejeição.
No caso estudado, uma equipe médica da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, extraiu um segmento de 9 centímetros da veia da virilha de um doador falecido e removeu todas as células vivas.
Eles, então, injetaram no tecido células-tronco obtidas da medula da menina, diagnosticada com um bloqueio potencialmente letal da veia porta, um grande vaso que leva sangue ao fígado.
Duas semanas depois desta "semeadura", a veia foi implantada na paciente, usando a técnica da ponte de safena, acrescentaram os médicos.
"A menina do estudo foi poupada do trauma de ter veias retiradas do pescoço ou da perna com o risco associado de problemas nos membros inferiores", escreveram os pesquisadores Martin Birchall e George Hamilton em comentário publicado com o artigo.
As cirurgias para restaurar o fluxo sanguíneo da porta usando veias artificiais ou de doadores tiveram resultados diversos até agora.
A equipe de cientistas explicou que a paciente não teve complicações na cirurgia e que o fluxo sanguíneo normal foi restaurado imediatamente. E uma vez que as veias continham as próprias células da menina, ela não precisa tomar medicamentos imunossupressores.
A menina precisou de outro enxerto um ano após o primeiro, mas goza de boa saúde, consegue fazer longas caminhadas de até 3 quilômetros e faz ginástica moderadamente, destacou o artigo.
O novo método resultou em "uma melhora impactante na qualidade de vida da paciente", destacaram os autores do estudo, em um comunicado.
Birchall e Hamilton observaram que o alto custo e o longo prazo exigido para preparar este tipo de enxerto torna improvável que seja adotado como um tratamento normal imediatamente.
Embora o procedimento seja promissor, acrescentaram, é preciso que a técnica evolua passe por testes clínicos completos.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?tl=1&id=1264946&tit=Menina-recebe-veia-transplantada-obtida-de-celulas-tronco-proprias

domingo, 10 de julho de 2011

Cirurgiões realizam transplante inédito de traqueia sintética

Atualizado em  7 de julho, 2011 - 21:15 (Brasília) 00:15 GMT

Imagem mostra o transplante sendo feito (Reuters)
Órgão foi revestido de células-tronco do paciente
A Universidade de Karolinska, na Suécia, anunciou ter realizado o primeiro transplante de traqueia sintética do mundo.
O órgão artificial, revestido com células-tronco do próprio paciente e desenvolvido por cientistas na Grã-Bretanha, foi implantado em um homem de 36 anos, vítima de câncer.
O cirurgião-chefe do procedimento, o professor italiano Paolo Macchiarini, informou que o paciente passa bem, um mês após a cirurgia.
A traqueia artificial foi desenvolvida por cientistas da University College London, liderados pelo médico Alex Seifalian, a partir de imagens em 3D captadas do órgão do próprio paciente.
A base, feita de vidro, com diversos poros, foi mergulhada em células-tronco do paciente, que se dividiram e se transformaram em tecido, dando forma à frágil estrutura que se tornaria, em seguida, a futura traqueia.
Por não ser de outro doador, a nova traqueia não corre o risco de rejeição.
Operação
Na cirurgia, que durou 12 horas, o tumor do tamanho de uma bola de golfe (que resistia à quimioterapia) foi totalmente retirado, assim como partes da traqueia doente, então substituída pela estrutura de tecido produzida artificialmente.
Células-tronco retiradas da medula óssea e da mucosa do nariz também foram implantadas durante a operação. Elas são capazes de se dividir e crescer, revestindo a traqueia artificial.
Macchiarini comemorou o avanço científico, dizendo que "a beleza" da técnica "é que você pode ter (o órgão) imediatamente. Não há nenhum atraso. Não depende de uma doação humana".
"Graças à nanotecnologia, este novo ramo da medicina regenerativa, agora somos capazes de produzir uma traqueia feita por encomenda num prazo de dois dias ou uma semana", disse.
A cirurgia ocorreu no hospital da Universidade de Karolinska. O paciente é um estudante africano que vive na Islândia. Ele sentia dificuldades de respirar e morreria sem o transplante.
Macchiarini já tem dez transplantes de traqueia em seu currículo. Ele disse que agora espera adotar a mesma técnica em um bebê na Coreia do Sul, que nasceu com uma má-formação no órgão.