segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Homem com paralisia cerebral conta sua história

Ser portador de paralisia cerebral é sentença para se levar a vida completamente dependente dos outros e sem conquistas próprias. Certo? Errado! Para o contador Mauro Sérgio Langowski, de 37 anos, a afirmação é totalmente falsa e prova isto contando sua história de vida. Ele não só estudou, conquistou sua casa própria e se formou bacharel em Ciências Contábeis, como ganhou o 2.º lugar num prêmio científico do Conselho Estadual de Contabilidade.
Mauro tem paralisia cerebral de nascença, por problema no parto. Ele conta que viveu até os 21 anos em casa, numa colônia polonesa em Colombo, sob os cuidados da família, até que conheceu um grupo de amigos portadores de deficiência. Os amigos lhe mostraram que a vida de uma pessoa especial pode ter novos horizontes e o estimularam a estudar. Através de curso supletivo, fez os ensinos fundamental e médio e, no dia que pegou o diploma, já tinha sido aprovado no vestibular da Facinter para o curso de Ciências Contábeis. Fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e conseguiu bolsa de estudos para custear a faculdade.
Por causa da deficiência, Mauro tem problemas na fala e anda de cadeira de rodas. Mas recebeu o apoio e o carinho de muita gente. Fez trabalhos e provas orais e, depois de quatro anos e meio de muita batalha, se formou com louvor no dia 30 de abril. Tirou nota 9,6 no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o que levou a coordenadora do curso, Viviane da Costa Freitag, a inscrever o trabalho num prêmio anual do Conselho Estadual de Contabilidade. O trabalho ficou
tão bom que Mauro ficou entre os 20 finalistas e conquistou o segundo lugar.

Dificuldades
Mauro nunca andou e depende de cadeira de rodas para se locomover. Na época em que ainda fazia faculdade, apesar de já ter comprado sua casa no Tatuquara, teve dificuldades para andar pelas ruas esburacadas e sem asfalto, o que resultou na quebra de algumas cadeiras. Para evitar o deslocamento tão longo e os consertos e compras de novas cadeiras, conseguiu um quarto na Casa do Estudante Universitário (CEU), onde morou até o final do curso universitário.
Mauro se orgulha em fazer quase tudo sozinho. As poucas coisas que ele não consegue fazer são comer sozinho, escrever usando caneta e fazer a barba. “O resto eu faço tudo sozinho, sem a ajuda de ninguém”, disse o contador.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sintoma do autismo pode ser detectado em recém-nascidos

Contato visual: cientistas descobrem que crianças com autismo perdem com o tempo a capacidade de manter o olhar no de outras pessoas
Contato visual: cientistas descobrem que crianças com autismo perdem com o tempo a capacidade de manter o olhar no de outras pessoas (Thinkstock)
Pesquisadores americanos descobriram que é possível identificar um dos sintomas do autismo já nos primeiros meses de vida de um bebê. Segundo o novo estudo, autistas apresentam, já a partir do segundo mês de vida, uma piora na capacidade de manter contato visual com outras pessoas. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira na revista Nature.
"Nós observamos um declínio da capacidade de manter o olhar no de outra pessoa com o tempo, e não uma ausência completa de contato visual. Esse achado tem o potencial de mudar de forma dramática as futuras estratégias de intervenção precoce (em crianças com autismo)", diz Ami Klin, diretor do Centro de Autismo Marcus, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.

Declínio — Os pesquisadores acompanharam crianças desde o nascimento até elas completarem 3 anos. Eles perceberam que aquelas que foram diagnosticadas com autismo aos 3 anos apresentaram desde muito pequenas um declínio na capacidade de estabelecer contato visual com outras pessoas. Essa piora aconteceu de forma contínua a partir do segundo mês de vida e prosseguiu até os 2 anos.
A pesquisa avaliou 110 crianças. Parte delas apresentava um maior risco de desenvolver autismo, pois tinha um irmão mais velho diagnosticado com o transtorno — o que, segundo os pesquisadores, aumenta em até vinte vezes o risco. O restante das crianças foi considerado com baixo risco de autismo, pois não tinha nenhum parente até terceiro grau com o transtorno.
Os pesquisadores realizaram uma série de testes ao longo dos três primeiros anos de vida das crianças. Após a confirmação do diagnóstico de autismo, quando elas completaram três anos, os cientistas revisaram os testes para descobrir o que diferenciava as autistas das outras.
Em comunicado, os autores informaram que pretendem realizar esse estudo com um número maior de crianças para comprovar os resultados.

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Laboratório de Nicolelis faz macacos controlarem o movimento de dois braços virtuais só com o pensamento

 Miguel Nicolelis
Em um novo estudo divulgado nesta quarta-feira, pesquisadores descrevem como conseguiram fazer com que macacos aprendessem a usar apenas a mente para controlar o movimento de duas mãos virtuais, exibidas na tela de um computador. O feito foi atingido por uma equipe de cientistas liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, na Universidade Duke, nos Estados Unidos. Eles conseguiram, pela primeira vez, registrar a atividade cerebral dos animais de forma tão detalhada que eles foram capazes de controlar, não apenas um, mas dois braços.
Os movimentos bimanuais, como o ato de digitar em um teclado ou abrir uma lata, são fundamentais na rotina humana, mas, até agora, os cientistas não haviam conseguido registrar a atividade cerebral responsável por eles. Em pesquisas anteriores, Nicolelis já havia criado interfaces cérebro-máquina-cérebro que permitiram a um macaco mover e sentir uma mão na tela de um computador. Mas o procedimento para fazer com que o animal mova dois membros ao mesmo tempo é mais complicado.
Segundo o cientista, a atividade cerebral responsável pelo movimento bimanual não corresponde à simples soma do movimento de ambas as mãos — ela é muito mais complexa. "Em nossa pesquisa, descobrimos que o cérebro faz a computação desse movimento de uma maneira não linear. Ou seja, não bastava somar os sinais das duas mãos", diz o Miguel Nicolelis, em entrevista ao site de VEJA. "Para desenvolver um modelo que levasse em consideração o movimento simultâneo dos dois braços, tivemos que registrar a atividade de quase 500 neurônios — o maior número analisado em qualquer estudo publicado até agora."
Exoesqueleto — A pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine, é parte importante do Projeto Andar de Novo, no qual Nicolelis pretende construir um exoesqueleto que poderá ser operado por tetraplégicos apenas com seu pensamento. O cientista quer fazer a primeira demonstração do equipamento durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no ano que vem. Para o exoesqueleto funcionar, no entanto, é necessário que os voluntários sejam capazes de controlar o movimento de vários membros ao mesmo tempo.
No novo experimento, os pesquisadores analisaram a atividade de quase 500 neurônios espalhados por diferentes áreas dos dois hemisférios cerebrais de uma dupla de macacos rhesus. Os animais foram colocados de frente a uma tela de computador, na qual podiam enxergar os braços e mãos de um avatar de macaco. A partir de um algoritmo, os cientistas transformaram a atividade elétrica captada em seus cérebros em comandos para controlar os membros virtuais.
Durante o período de treinamento, os animais foram encorajados a colocar essas mãos virtuais dentro de alvos quadrados que apareciam na tela. Depois de alguns instantes em contato com os quadrados, estes desapareciam, e surgiam dois círculos, para os quais os macacos deveriam mover novamente suas mãos. A cada vez que realizavam o movimento de maneira correta, ganhavam um gole de suco como prêmio.
Conforme o tempo passava — e os macacos aprendiam a controlar as mãos virtuais —, os cientistas observaram que o próprio cérebro dos animais estava se alterando. Segundo Nicolelis, isso confirma os resultados de um experimento anterior de sua equipe, que havia mostrado que o cérebro é capaz de integrar objetos externos à imagem que tem de seu próprio corpo. "Nesse caso, o avatar passou a fazer parte da representação de corpo criada pelo cérebro do animal. O macaco literalmente assimilou os braços artificiais como se fossem seus", diz Nicolelis.
Sem as mãos — Ao fim do estudo, os dois macacos tinham se tornado capazes de controlar de forma satisfatória o movimento conjunto das duas mãos virtuais. E eles podiam fazer isso enquanto estavam parados, sem que os movimentos na tela do computador fossem acompanhados por movimentos de suas mãos reais — usando apenas seu cérebro.

Segundo os pesquisadores, isso é importante porque um dos principais objetivos das interfaces cérebro-máquina é criar próteses ou exoesqueletos que possam restabelecer o movimento de pacientes amputados ou paralisados. Se movimentos reais fossem necessários para a operação desses equipamentos, seu próprio objetivo estaria comprometido. "Isso é muito importante para nossa pesquisa, pois essa é exatamente a estratégia de treinamento que iremos usar nas salas virtuais que construímos em Natal e em São Paulo, para o Projeto Andar de Novo", diz Nicolelis.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cientistas criam sangue artificial com minhocas para ser usado em transfusões

© izahorsky/Flickr
© izahorsky/Flickr
Um grupo de cientistas da Romênia desenvolveu um novo tipo de sangue artificial, produzido com água, sal e com a proteína hemeritrina, extraída naturalmente das espécies de minhocas que vivem no habitat marinho. A solução poderá ser disponibilizada a partir de 2015 nos bancos de sangue de todo o mundo, sendo muito viável para transfusões e situações de emergência.
Criado pelos pesquisadores romenos da Universidade de Babes-Bolyai de Cluj-Napoca em parceria com as universidades de Bristol e Edimburgo (ambas no Reino Unido), o novo sangue artificial já foi testado em laboratório e apresentou ótimos resultados e receptividade. Além de ser indicada para situações de emergência, a nova substância também é aceita por todos os tipos sanguíneos.
Nos testes, o que mais impressionou a comunidade científica foi o fato de o sangue “de minhoca” permanecer intacto às transfusões e ter alta durabilidade. Esta não é a primeira substância desenvolvida para ser equivalente ao sangue humano, no entanto, é a mais eficiente – principalmente devido à proteína presente nas minhocas marinhas utilizadas na preparação do sangue.
Conforme publicou o site InHabitat, a proteína hemeritrina é mais potente que as próprias hemoglobinas naturais do sangue, devido à sua alta resiliência. Durante os testes, os cientistas verificaram que a substância artificial é capaz de transportar oxigênio pelo organismo até que o estoque de sangue humano volte aos seus padrões de normalidade, com a recuperação do paciente depois da transfusão.
Fonte: Gabriel Felix
 Discovery Notícias